Sob pressão, Lula começa a calibrar o discurso e aceita mudar estratégia da campanha

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Fonte da notícia: Valor Valor

Diante dos apelos de aliados, que consideram equivocada a linha da campanha, e da queda nas pesquisas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já começou a calibrar o discurso, adotando um tom mais direto e enfático sobre a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) e sobre a realidade brasileira. Pela primeira vez, ele afirmou que o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado e punido, se for culpado, e reconheceu que apesar de dados positivos da economia, os brasileiros estão insatisfeitos porque o custo de vida aumentou. Leia mais: Até então, Lula chancelava a estratégia principal de sua campanha, fundada na comparação de legados, e na defesa da soberania. Acreditava que demonstrando que havia entregado muitas realizações à população, principalmente de baixa renda, em contraste com a gestão de seu antecessor, Jair Bolsonaro; e que a família Bolsonaro teria atuado para que os Estados Unidos taxassem as exportações brasileiras, com o discurso de "traidores da pátria", teria do lado dele a maioria do eleitorado. Mas isso não se confirmou, sua rejeição cresceu e aliados passaram a alertá-lo que a defesa do legado dialogava com o passado, sem entusiasmar o eleitor. Insistiram que falta à campanha mensagem de esperança e emoção, e, além disso, seria necessário subir o tom para rebater ataques dos adversários. Depois de receber uma romaria de aliados nos últimos dias, entre eles, o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e o coordenador de sua campanha em São Paulo, Marco Aurélio de Carvalho, e de sentir a perda do favoritismo, Lula cedeu e concordou em alterar a linha da campanha. Nessa sexta-feira (11), nova rodada do Datafolha mostrou que pela primeira vez, Lula e seu principal adversário, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, apareceram empatados quanto à rejeição: 46% dos entrevistados disseram que não votariam neles de jeito nenhum. Antes, o petista despontava com rejeição ligeiramente menor. O levantamento também mostrou que a vantagem de Lula sobre o adversário no primeiro turno diminuiu de cinco para quatro pontos: o petista ainda lidera com 39% das intenções de voto, mas Flávio se aproximou dele, alcançando 35%. “Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar. Se o [André] Mendonça é culpado, ele tem que pagar. Se o [Edson] Fachin é culpado, ele tem que pagar. Todo mundo tem que estar à disposição do cumprimento da nossa Constituição. A lei acima de tudo e a verdade sempre soberana", disse Lula em entrevista ao jornal SBT Brasil na quinta-feira (10). Até então, Lula vinha defendendo o levantamento total do sigilo das investigações sobre as fraudes do Banco Master, e defendia punições em tom genérico, "doa a quem doer", sem dar nomes aos envolvidos, numa tentativa de blindar Alexandre de Moraes. Em contraponto, as pesquisas mostraram que a estratégia de Flávio de associar Lula a Moraes contribuiu para a queda do petista que, agora, tenta descolar sua imagem do ministro do STF. Desde o ato na Avenida Paulista no feriado de Sete de Setembro, Flávio e as principais lideranças do PL martelam o discurso de que Lula e o relator do processo da tentativa de golpe, que levou à prisão o ex-presidente Jair Bolsonaro seriam "a mesma coisa". Lula também começou a defender mandatos fixos para os ministros da Suprema Corte. Na mesma entrevista, disse que um magistrado "não pode ficar 40 anos no cargo", e acrescentou que se for reeleito, negociará com o Congresso uma ampla reforma do Judiciário. Em paralelo, o petista reconheceu que apesar dos dados positivos da economia, como inflação sob controle e desemprego mínimo, o governo não correspondeu à expectativa da sociedade porque "o custo de vida está caro". Até então, Lula limitava-se a repetir, em entrevistas, que os números da macroeconomia mostravam que sua gestão estava no caminho certo. Aliados diziam que o mandatário se negava a encarar a realidade.

Na mesma entrevista, entretanto, culpou o antecessor pela alta do preço dos alimentos. "Eu herdei uma inflação de alimentos de 56%. Você sabe qual é a inflação de alimentos no meu governo? De 13%", argumentou. "O salário mínimo comprava apenas 1,8 de uma cesta básica, e agora já está comprando 2,1. Nossa briga é para continuar crescendo para gerar emprego, crescimento na renda e mais poder de compra para o povo". Ele concluiu afirmando que, pela sua biografia, somente ele seria capaz de fazer isso.

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