Japão prepara missão inédita para coletar amostras das luas de Marte

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Cientistas japoneses se preparam para lançar uma missão que pretende coletar amostras das luas de Marte e trazê-las de volta à Terra. O projeto, considerado inédito, busca esclarecer a origem de Fobos e Deimos e ajudar a explicar a formação do Sistema Solar e as condições que favoreceram o surgimento da vida. Leia também: Incêndio destrói parte histórica da prefeitura de Limoges, na França, durante protestos Veja mais: Protestos contra o custo de vida na França mobilizam ao menos 550 mil pessoas; governo cita 1,2 mil detidos e 150 policiais feridos A sonda Martian Moons eXploration (MMX), desenvolvida pela Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) em parceria com instituições internacionais, tem lançamento previsto para terça-feira, às 4h41 no horário local (16h41 de segunda-feira, em Brasília), a bordo do foguete H3, no Centro Espacial de Tanegashima, no Japão. A previsão é que a espaçonave chegue à região de Marte cerca de um ano após o lançamento. A missão deverá estudar Fobos por até três anos e pousar em sua superfície para coletar pelo menos dez gramas de material. A sonda também observará Deimos, a outra lua do planeta, mas não pousará nela. Antes da coleta, um pequeno veículo de exploração chamado IDEFIX, em referência ao cão dos quadrinhos de Asterix, fará observações da superfície de Fobos para ajudar a identificar um local seguro para o pouso. — As amostras de Fobos serão certamente as primeiras do mundo, o que significa que será a primeira viagem de ida e volta ao sistema marciano — disse Yasuhiro Kawakatsu, gerente do projeto MMX, à AFP. Segundo a JAXA, a missão também avaliará a possibilidade de utilizar Fobos como uma espécie de estação espacial natural, capaz de servir de apoio a futuras viagens tripuladas a Marte. Origem das luas Uma das principais questões que a missão pretende investigar é como Fobos e Deimos se formaram. Duas hipóteses concentram o debate científico: a de que as luas surgiram de detritos lançados ao espaço após uma grande colisão com Marte e a de que são asteroides capturados pela gravidade do planeta. A análise das amostras poderá ajudar a determinar qual dessas explicações é mais provável. A resposta também pode contribuir para a compreensão de como os planetas rochosos — Mercúrio, Vênus, Terra e Marte — se formaram e adquiriram condições para abrigar vida. O estudo das luas marcianas também pode fornecer pistas sobre o transporte de água e compostos orgânicos entre diferentes regiões do Sistema Solar. — O MMX vai esclarecer os mecanismos de transporte que levaram água e compostos orgânicos do sistema solar externo para a região interna dos planetas rochosos, processos que podem ter desempenhado um papel fundamental para tornar esses mundos habitáveis — afirmou Patrick Michel, astrofísico francês que trabalha no projeto IDEFIX. Segundo o pesquisador, caso Fobos e Deimos sejam remanescentes desses processos, os materiais preservados em suas superfícies poderão ajudar a investigar a origem dos componentes necessários à vida. Disputa por amostras O projeto conta com a participação do Centro Nacional de Estudos Espaciais da França, do Centro Aeroespacial Alemão, da Agência Espacial Europeia e de cerca de 20 universidades e empresas de tecnologia. Um dos desafios técnicos foi desenvolver os mecanismos de pouso da espaçonave, devido à gravidade extremamente baixa de Fobos. A lua orbita Marte a cerca de 6 mil quilômetros de sua superfície. A missão japonesa integra uma disputa internacional para trazer material de corpos celestes de volta à Terra. Os Estados Unidos e a China também desenvolvem projetos voltados à coleta de amostras marcianas. O robô Perseverance, da Nasa, percorre a superfície de Marte desde 2021 e coleta amostras para uma possível missão de retorno. O projeto americano, no entanto, foi cancelado pelo governo de Donald Trump após uma votação no Congresso dos Estados Unidos em janeiro. A China, por sua vez, planeja lançar a missão Tianwen-3 por volta de 2028 e pretende trazer amostras de Marte até 2031, possivelmente antes do retorno da MMX. Para os cientistas japoneses, a coleta em Fobos pode oferecer uma vantagem: o material da lua talvez reúna fragmentos de diferentes regiões de Marte, lançados ao espaço por impactos de corpos celestes. Isso permitiria estudar amostras do planeta sem a necessidade de pousar diretamente em sua superfície.

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