Japão aguarda nova onda de alta dos alimentos por disparada em preço de frete de petroleiros

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Fonte da notícia: Valor Valor

O Japão pode enfrentar uma segunda onda de forte aumento nos preços dos alimentos, à medida que a instabilidade contínua no Oriente Médio eleva os custos de insumos derivados de nafta — usados na fabricação de embalagens — e das tarifas de frete para navios petroleiros. Os aumentos nos preços ao consumidor tornaram-se expressivos neste verão, impulsionados pela alta do petróleo bruto, decorrente, na prática, do fechamento do Estreito de Ormuz.

Em setembro, os preços de 4.965 itens de alimentos e bebidas foram reajustados — um número mais de três vezes superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, segundo um levantamento da Teikoku Databank que abrange 195 grandes empresas do setor alimentício. Geralmente, leva cerca de seis meses para que a elevação nos preços do petróleo bruto chegue ao consumidor final.

No setor alimentício, a alta do petróleo reflete-se, com relativa rapidez, nos preços de produtos petroquímicos, como polietileno e polipropileno. Esses custos mais elevados são, então, repassados gradualmente para produtos processados, incluindo embalagens plásticas e filmes para embalagem.

Os preços de produtos químicos no segmento “business-to-business” (entre empresas) subiram 19% em março e abril, na esteira de um salto acentuado nos preços do petróleo bruto, conforme dados do Nikkei. Esses aumentos foram, na sequência, repassados pelos fabricantes de embalagens e atacadistas, chegando, por fim, aos consumidores.

Cerca de seis meses depois, em setembro, os reajustes nos preços de alimentos e bebidas no varejo atingiram seu pico. O número de produtos de alimentos e bebidas que sofreram reajustes em outubro caiu para 3.153 — patamar próximo ao do ano anterior — e a projeção é de uma nova queda, para 1.469 itens em novembro, indicando que o ímpeto das altas de preços atingiu seu ápice por ora.

"O repasse dos aumentos de custos anteriores já seguiu seu curso, em grande parte", afirmou Daisuke Iijima, da Teikoku Databank, responsável pelo levantamento. A questão agora é: o que vem pela frente?

Os preços dos produtos químicos mantiveram-se relativamente estáveis entre maio e julho, mas voltaram a subir a partir de agosto. As preocupações com o suprimento de petróleo bruto intensificaram-se após os rebeldes houthis — apoiados pelo Irã — declararem, em 20 de julho, um bloqueio a embarcações sauditas no Estreito de Bab el-Mandeb, rota que servia como alternativa ao Estreito de Ormuz para o escoamento de petróleo do Oriente Médio.

As tarifas de frete estão subindo ainda mais rapidamente. As dificuldades na navegação pelo Estreito de Bab el-Mandeb prolongaram as viagens para o transporte de petróleo bruto do Oriente Médio, restringindo a oferta e a demanda por navios-tanque.

Os esforços para garantir capacidade de transporte marítimo intensificaram-se, elevando drasticamente as tarifas desses navios. As tarifas de frete para o transporte de petróleo bruto do Oriente Médio para o Leste Asiático — um importante indicador de referência — estão agora quase seis vezes mais altas do que antes do fechamento do Estreito de Ormuz, atingindo um patamar recorde.

"Não estamos em uma situação em que seja impossível conseguir embarcações", afirmou um representante do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão. Ainda assim, os custos logísticos estão aumentando, o que provavelmente exercerá uma pressão de alta sobre os preços dos produtos petroquímicos.

Considerando as condições atuais do mercado e o intervalo de tempo até que os custos cheguem aos consumidores, uma segunda onda de aumento nos preços dos alimentos pode ocorrer após o Ano Novo. Abril, que marca o início do novo ano fiscal no Japão, é tradicionalmente um período em que as empresas costumam revisar seus preços; isso abre a possibilidade de que os fabricantes de alimentos anunciem uma nova rodada de reajustes.

Esse momento coincidiria com a implementação da redução do imposto sobre o consumo de produtos alimentícios, medida planejada pela primeira-ministra Sanae Takaichi. Uma nova onda de revisões de preços poderia anular os benefícios de sua principal política de combate à inflação.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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