Jane Fonda escreve homenagem a Ted Turner, seu 'ex-marido favorito': 'Um pirata aventureiro'

 

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A atriz Jane Fonda escreveu uma sensĂ­vel homenagem a Ted Turner, o magnata da mĂ­dia que morreu nesta quarta-feira (6), aos 87 anos. Fonda e Turner foram casados durante 10 anos, de 1991 a 2001.

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"Ele entrou na minha vida de forma arrebatadora — um pirata aventureiro, extremamente bonito e profundamente romântico — e eu nunca mais fui a mesma", escreveu a atriz, hoje com 88 anos, em seu perfil no Instagram.

Ted Turner e Jane Fonda em foto de 1992

Hal Garb / AFP

Personalidades opostas

Os dois começaram a namorar em 1990, pouco depois de a atriz — vencedora de dois Oscars, por "Klute o passado condena" (1971) e "Amargo regresso" (1978) — se separar de seu segundo marido, o político californiano Tom Hayden, com quem havia se casado em 1973. Fiel à sua personalidade confiante, Turner conseguiu o telefone de Jane Fonda, ligou para ela e demonstrou interesse.

O romance, que virou manchete, surpreendeu muitos, já que suas personalidades pareciam opostas: Turner era um bilionário conservador de Atlanta, conhecido pelo apelido “Mouth of the South”; Fonda pertencia à realeza de Hollywood e era uma liberal assumida, defensora de causas progressistas.

Em sua homenagem, Jane Fonda continuou:

"Ele precisava de mim. Ninguém jamais havia me feito sentir necessário, e não se tratava de uma pessoa comum: era o criador da CNN e da Turner Classic Movies, vencedor da America’s Cup como o maior velejador do mundo. Ele tinha uma vida grandiosa, uma mente brilhante e um senso de humor extraordinário. Ele também podia cuidar de mim. Isso também era novidade. Ser necessária e, ao mesmo tempo, cuidada, é algo transformador. Ted Turner me ajudou a acreditar em mim mesma. Ele me deu confiança. Acho que fiz o mesmo por ele, mas é para isso que as mulheres são educadas. Homens como Ted não deveriam demonstrar necessidade ou vulnerabilidade. E acredito que essa era justamente a maior força dele", escreveu.

Ted Turner e Jane Fonda em Paris, em 1994

Pascal Pavani / AFP

'Pessoa mais competitiva que já conheci'

A artista foi mais explícita no livro autobiográfico "Minha vida até agora", de 2005. “Com Ted, havia momentos de amor em que nos olhávamos e nos dissolvíamos um no outro. E havia momentos em que algo nos fazia rir tanto que caíamos no chão — como a noite em que desabamos de tanto rir aos pés da escadaria de '...E o vento levou' em sua plantação, e tivemos que subir para o quarto engatinhando”, escreveu na publicação.

Os dois se casaram em 1991 na fazenda Avalon, propriedade de 8,1 mil acres de Turner, na FlĂłrida, e passaram a lua de mel com a famĂ­lia formada pela uniĂŁo dos filhos de ambos (Fonda tinha trĂŞs, e Turner, cinco, de casamentos anteriores).

Veja o texto de Jane Fonda sobre o ex-marido, Ted Turner.

"Ele também me ensinou mais do que qualquer outra pessoa ou aula que tive na vida — principalmente sobre natureza e vida selvagem, caça e pesca (caçadores e pescadores que respeitam a lei são os melhores ambientalistas), mas também sobre negócios e estratégia. Ted era extremamente estratégico. Isso provavelmente era algo nato, mas ele estudou os clássicos na faculdade, conhecia profundamente a Guerra do Peloponeso e as estratégias usadas por Alexandre, o Grande, e até por Gêngis Khan. E velejar embarcações enormes, como ele fazia, aprimorou ainda mais esse talento estratégico, que depois levou para os negócios com enorme sucesso. Ele definitivamente conseguia enxergar além do óbvio.

Depois de Katharine Hepburn, Ted foi a pessoa mais competitiva que já conheci — e isso era fascinante de testemunhar. Desde quem fazia mais descidas de esqui no fim do dia até quem possuía mais hectares de terra (ou melhor, quem melhor cuidava delas, porque “administrar” define melhor sua relação com a terra), quem tinha mais bilhões, em quantos países ele havia feito amor com a ex-companheira e se eu conseguiria igualar aquilo — tudo era um desafio. Ted era desafiador, mas eu sempre gostei de desafios, e com ele quase sempre valia a pena.

Como disse nosso amigo Ron Olson: “Ted foi um grande professor, muitas vezes pelo exemplo. Ele nos desafiava a pensar grande (certa vez me pediu para redigir uma resolução para a ONU e o Congresso dos EUA proibindo todas as armas nucleares; eu fiz isso) e agir de forma simples (nos vinte anos desde que conheci Ted, eu também recolho lixo durante minhas caminhadas).”

Eu amei Ted de todo o coração. Consigo vê-lo agora no céu, ao lado de todos os animais que ajudou a salvar da extinção — os furões-de-patas-negras, os cães-da-pradaria, os carneiros-selvagens, o lobo-cinzento-mexicano, a alcateia de Yellowstone, os bisões, o pica-pau-de-topete-vermelho e tantos outros. Todos reunidos nos portões do paraíso, aplaudindo e agradecendo por ele ter salvado suas espécies.

Ele deixa cinco filhos — cinco pessoas talentosas e complexas, de quem tive o privilégio de me tornar madrasta. Cresci com quatro madrastas e sei como elas podem ser importantes, então todos nós fizemos o possível para construir uma família estendida, improvisada, mas cheia de afeto. E eu os amo até hoje. Se já era complicado ser casada com ele, imagine como deve ter sido ser filho dele. E todos estão bem.

Descanse em paz, querido Ted. Você é amado e será lembrado.”