Jacarés em áreas urbanas de Niterói: 'De alguma forma eles também estão se adaptando às mudanças', diz biólogo

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

De 1º de janeiro a 19 de outubro de 2026, o Corpo de Bombeiros (CBMERJ) realizou o resgate de oito jacarés em Niterói. Cinco dessas ocorrências foram registradas nos últimos três meses, na Região Oceânica.

Para o biólogo e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Jorge Pontes, o aumento dos registros pode estar relacionado a fatores sazonais e ambientais e à maior exposição dos casos nas redes sociais. Símbolo centenário: Monumento de Nossa Senhora Auxiliadora, em Niterói, será restaurado

Sem carnês: IPTU de Niterói será 100% digital em 2027 Segundo o pesquisador, entre outubro e março ocorre o período reprodutivo do jacaré-de-papo-amarelo, espécie comum na Mata Atlântica.

Nessa época, os animais ficam mais ativos, em busca de ampliação de território e de locais adequados para a construção dos ninhos. Outro fator é o aumento da regularidade das chuvas, que favorece o deslocamento dos répteis.

No mesmo período do ano passado, segundo o Corpo de Bombeiros, não foram encontradas no sistema da corporação ocorrências envolvendo jacarés. — A Região Oceânica é o habitat natural deles.

O aparecimento em redes pluviais, por exemplo, decorre de alguns fatores, como o avanço da área urbana e a supressão de áreas verdes. Outro é que esses dutos oferecem um equilíbrio térmico maior.

E eles podem andar por quilômetros dentro dessas redes. Não é um dado oficial, mas ainda existe a possibilidade de eles se alimentarem de roedores que vivem nesses locais.

Ou seja, de alguma forma, eles também estão se adaptando às mudanças — explica. Jacaré adulto foi retirado da tubulação e solto no Canal do Camboatá após avaliação veterinária na semana passada

Divulgação/Inea O professor ressalta que os jacarés são animais territoriais e que os deslocamentos também podem ocorrer pela disputa entre machos.

— É muito importante que haja conscientização por parte da população nesse sentido, para saber conviver com os animais que habitam a fauna local. Alguns cuidados precisam ser observados.

É importante evitar passear com animais de estimação nessas áreas. As fêmeas ficam mais agressivas quando estão com ovos no ninho, por instinto de proteção.

E também não adianta pegar o jacaré e soltar em qualquer região, porque isso pode mudar a dinâmica natural da espécie — destaca Pontes. O biólogo é coorientador de uma pesquisa de mestrado da aluna Bruna Patrício da Costa, que busca levantar informações oficiais sobre os jacarés que vivem no sistema lagunar da Região Oceânica.

Ele também lembra um episódio ocorrido em janeiro deste ano, em Itaipu, quando uma cadela foi atacada durante uma trilha. Casos recentes

Na semana passada, um macho adulto da mesma espécie foi encontrado preso em uma galeria de águas pluviais, no condomínio Amoli, também em Itaipu. Com 2,24 metros de comprimento e 62 quilos, o animal foi retirado com técnicas específicas de captura e avaliado por um veterinário.

De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), ele apresentava boas condições de saúde, apesar de uma pequena escoriação no nariz. Após o resgate, foi solto no Canal do Camboatá, que liga as lagunas de Itaipu e Piratininga.

O resgate exigiu técnicas específicas de captura devido ao porte do réptil e às condições de espaço confinado. O animal, um macho adulto de 2,24 metros de comprimento e 62 quilos, foi retirado em segurança.

Após avaliação veterinária, que constatou boas condições de saúde, o jacaré foi devolvido ao habitat natural, no sistema lagunar da região, com o apoio de equipes do Inea. Em setembro, outro jacaré-de-papo-amarelo macho, com quase dois metros de comprimento e cerca de 45 quilos, foi encontrado camuflado em um canteiro na Avenida Augusto Ferreira Ramos, em Itaipu, próximo ao Rio João Mendes.

Uma moradora que passava pelo local com seu animal de estimação avistou o réptil e acionou o Corpo de Bombeiros. Equipes do 4º Grupamento Marítimo, em Itaipu, isolaram a área e realizaram o resgate.

O CBMERJ realiza o manejo e a captura de jacarés em áreas urbanas quando acionado, utilizando técnicas para garantir a segurança da população e a integridade dos animais. Ao avistar um réptil, a orientação é acionar imediatamente os bombeiros pelo telefone 193 e manter distância.

A população também deve evitar tentativas de assustar, ferir ou capturar o animal, inclusive atirando pedras, para prevenir acidentes e preservar a integridade do réptil.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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