J.P. Morgan corta PIB de 2026 de 2% para 1,7%, mas eleva projeções de inflação

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Fonte da notícia: Valor Valor

Dados correntes do terceiro trimestre reforçam a perspectiva de que a desaceleração econômica chegou mais cedo que o antecipado, diz o J.P. Morgan. O banco cortou a projeção para o PIB deste ano de 2,0% para 1,7%, mas alerta que o esfriamento da economia não vai resultar em menor pressão inflacionária. As projeções para o IPCA tanto em 2026 quanto 2027 foram revisadas para cima. "Ao contrário do que esperávamos, as políticas de estímulo tiveram menos efeito que o esperado. Dados do fim do segundo trimestre e do terceiro sugerem que a desaceleração chegou", diz o banco em relatório, notando que vários indicadores apontam para fraqueza tanto no consumo quanto no investimento, e que o repique do consumo observado em agosto parece ter tido vida curta. O J.P. nota que as novas safra de medidas anunciadas pelo governo devem trazer alguma resiliência no quarto trimestre e no início de 2027, mas não devem mudar a percepção mais ampla de que o ritmo de atividade deve rodar perto do moderado. O banco espera crescimento de 1,3% em 2027, mas alerta que o fracasso em adotar medidas de contenção de despesas deve piorar a dinâmica dos juros, da dívida e do crédito. Somado a uma possível piora do cenário externo, esses fatores podem levar a um crescimento mais fraco, diz o relatório. Em relação ao cenário de inflação, as projeções para 2026 passaram de 4,9% para 2,1% e de 4,0% para 4,3% em 2027. O banco cita o mercado de trabalho ainda resiliente, os riscos associados ao El Niño e as incertezas relativas ao conflito no Oriente Médio.

"A atividade mais fraca deve eventualmente contribuir para uma inflação menor, mas o impacto deve se materializar apenas gradualmente. A inflação de serviços permanece firme, enquanto a combinação de choques de energia e alimentos deve postergar a melhora da inflação cheia e gerar choques secundários", diz o banco, notando ainda que a aprovação do fim da escala 6x1 deve agregar "alguns décimos" ao IPCA no próximo ano.

Andrew Harrer/Bloomberg News

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