247 – A diplomacia brasileira acompanha os desdobramentos da crise política e econômica no Paraguai, mas considera a situação um assunto interno do país vizinho. Segundo o Metrópoles, interlocutores do Itamaraty afirmaram que o governo brasileiro monitora os acontecimentos em Assunção, mas ainda não prevê uma manifestação oficial sobre o caso.
A avaliação da chancelaria é de que o cenário exige cautela antes de qualquer posicionamento público. De acordo com a apuração, integrantes do governo federal também descartam uma manifestação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Eventuais comunicações oficiais sobre a crise devem ficar restritas ao Itamaraty. A instabilidade no Paraguai se agravou após a liquidação do Ueno Bank, um dos principais bancos do país, e provocou a renúncia do presidente Santiago Peña, além das saídas do presidente e de dois diretores do Banco Central paraguaio.
Peña anunciou sua renúncia na tarde desta quinta-feira (5), depois que um pedido de impeachment contra ele avançou no Congresso. A decisão, entretanto, ainda depende da aprovação dos parlamentares.
O processo de destituição também continua em andamento. Crise bancária e investigação
O Banco Central do Paraguai determinou a liquidação do Ueno Bank na terça-feira (3), após considerar a instituição insolvente, condição em que um banco não consegue cumprir seus compromissos financeiros. A crise também levou o Ministério Público paraguaio a solicitar uma investigação criminal sobre a instituição financeira e a pedir a prisão de dois de seus dirigentes.
As apurações envolvem suspeitas sobre a administração do banco e a concessão de empréstimos a empresas ligadas ao grupo controlador. Essas operações teriam comprometido o patrimônio da instituição.
Nesta quinta-feira, o órgão fiscalizador também acolheu um pedido de investigação sobre possíveis crimes financeiros atribuídos a Peña. O presidente foi acionista do Ueno Bank durante seu mandato.
Renúncia de Peña e disputa no Congresso A renúncia anunciada pelo presidente ainda precisa ser submetida à decisão dos parlamentares.
De acordo com a imprensa paraguaia, há expectativa de que o Congresso rejeite a saída voluntária e dê continuidade ao processo de impeachment, para impedir que Peña mantenha foro privilegiado. Pelas regras paraguaias, o presidente que renuncia ao mandato passa a ter direito a uma cadeira de senador vitalício, mantendo prerrogativas legislativas.
Peña integra o campo da direita latino-americana e, durante seu governo, aproximou a política externa paraguaia da orientação do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Apesar das diferenças políticas em relação a Lula, os dois presidentes mantêm uma relação considerada boa e já se encontraram em diferentes ocasiões.
Ainda assim, integrantes do Palácio do Planalto não esperam um pronunciamento do presidente brasileiro sobre a crise paraguaia.
Brasil 247