O governo da Itália informou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve sua cidadania italiana reconhecida em janeiro de 2023, 58 dias depois de apresentar a documentação necessária à Embaixada da Itália em Brasília. O caso foi debatido nesta sexta-feira (6) no Parlamento italiano e também envolve os irmãos Eduardo e Carlos Bolsonaro.
As informações foram apresentadas pela subsecretária de Relações Institucionais da Itália, Matilde Siracusano. Segundo o governo italiano, os três irmãos tiveram a cidadania reconhecida em 5 de janeiro de 2023, após a documentação ser entregue em 8 de novembro de 2022.
Eduardo Bolsonaro havia entrado na lista de espera para o reconhecimento da cidadania em 2020. De acordo com a explicação dada pelo governo, os processos dos irmãos foram analisados conjuntamente depois da apresentação dos documentos exigidos.
A administração italiana afirmou que toda a documentação estava completa e que o procedimento seguiu as regras em vigor. O prazo do processo, no entanto, passou a ser questionado por integrantes da oposição no país, diante do tempo de espera enfrentado por outros descendentes de italianos que buscam o reconhecimento da cidadania.
O deputado Angelo Bonelli, da oposição ao governo de Giorgia Meloni, levantou suspeitas sobre um possível tratamento preferencial e afirmou que pretende recorrer à Justiça italiana para pedir uma investigação sobre o caso. Até o momento, porém, o governo italiano sustenta que o reconhecimento da cidadania ocorreu dentro dos procedimentos previstos.
A cidadania italiana ganhou repercussão internacional após Flávio Bolsonaro utilizar o passaporte do país europeu para deixar o Brasil. O documento permitiu sua entrada na Argentina antes de sua viagem para os Estados Unidos.
Flávio recebeu seu passaporte italiano em novembro de 2023. Carlos e Eduardo obtiveram os documentos posteriormente, em 2024.
O episódio também ocorre em meio ao debate na Itália sobre mudanças recentes nas regras para o reconhecimento da cidadania por descendência. A resposta do governo italiano ao Parlamento trouxe, pela primeira vez, detalhes sobre o intervalo entre a apresentação dos documentos e o reconhecimento da cidadania dos irmãos Bolsonaro.
A posição oficial, no entanto, é de que o processo foi conduzido de acordo com as normas vigentes e com a documentação apresentada pelos requerentes.
Diario do poder