Itaguaí: servidores denunciam vale-transporte sem correção desde 2017 e desvio de função
O Sinserv Itaguaí, sindicato que representa os servidores do município, denuncia o desvio de funções de agentes para a Secretaria Municipal de Educação (SMEDU) “por questões políticas” e a defasagem do auxílio-transporte, congelado há quase dez anos.
O sindicato afirmou que servidores da administração direta lotados em outras pastas foram alocados na Educação em 2017, passando a exercer funções diferentes daquelas de sua pasta de origem. Alguns, inclusive, estavam trabalhando em funções de nível médio, mesmo com a nomeação em concurso com exigência de ensino fundamental. Segundo o SOS Servidores, foram 74 desviados.
O retorno começou somente neste ano, e alguns seguem no aguardo da realocação.
Impactos na saúde mental: 'Tive depressão'
A mudança imposta impactou negativamente a saúde física e mental de muitos servidores. Um agente, que pediu para não ser identificado por medo de retaliações, estava como auxiliar administrativo na Fazenda desde 2012, quando foi transferido para a Educação. Ele conta que perdeu a Gratificação de Apoio a Fiscalização de 20% sobre o vencimento e o vale-alimentação.
Apesar de fazer refeição na escola em que trabalha, a falta de controle sobre o que comia acarretou em sérios problemas de saúde.
— Eu já era diabético (tipo 2, antes do desvio), mas minha diabetes estava controlada. Entrei em depressão, fiquei dois anos afastados e perdi um dedo do pé. Peguei muitos atestados no período. Vamos voltar (à secretaria de origem) "escangalhados". Tenho até medo de morrer e não conseguir voltar — disse.
O SOS Servidores conta que, dos 74 desviados em 2017, o sindicato contou pelo menos 11 servidores tiraram licença médica. De acordo com a Prefeitura, cerca de 30 servidores de outras pastas permanecem na Educação, e “parte deles” manifestou interesse em permanecer na SMEDU. O servidor que conversou com a Coluna, e que quer voltar para a Fazenda, ainda aguarda o retorno.
Auxílio-transporte no valor de R$ 176 desde 2017
Já no caso do vale-transporte, os servidores do Executivo afirmam que recebem R$ 176 por mês, valor que foi instituído em 2017 e que, desde então, não foi reajustado. Por outro lado, eles mencionam que os funcionários da Câmara Municipal tiveram o auxílio corrigido em março deste ano, sendo fixado em R$ 635,95.
O que diz a Prefeitura
A Prefeitura de Itaguaí informou que o processo de retorno de servidores "está sendo realizado de forma gradativa" e que a movimentação ocorreu por "dificuldades financeiras e da impossibilidade de realização de contratações temporárias". Quanto ao vale-transporte, reconheceu que o valor está defasado, afirmou que o tema foi discutido com centrais sindicais, e declarou que a Secretaria de Administração "já realiza estudos para atualização do benefício dentro da capacidade financeira do município". Mas ressaltou que uma ação civil pública impõem restrições à criação ou à ampliação de despesas com pessoal.
