Israel homenageia vítimas três anos após 7 de Outubro; Gaza lamenta destruição

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Fonte da notícia: Valor Valor

Israelenses se reuniram em silêncio nesta quarta-feira em um kibutz próximo à fronteira com Gaza que foi invadido por militantes do Hamas em 7 de outubro, há três anos, para homenagear as vítimas dos ataques que desencadearam a ofensiva de Israel em Gaza e mergulharam o Oriente Médio em uma guerra. Leia também: Três anos depois, massacre do 7 de Outubro põe Netanyahu à prova em eleição de Israel Gaza vive risco de nova escalada em meio a um frágil cessar-fogo ‘Conselho da Paz dos EUA não está funcionando em Gaza’, diz Mary Robinson

Na Faixa de Gaza, devastada por dois anos de bombardeios israelenses, palestinos abrigados entre as ruínas de cidades destruídas relembraram a vida antes de uma guerra que deslocou quase toda a população e separou famílias.

Os ataques de 7 de outubro de 2023 foram o dia mais mortal da história de Israel. Militantes liderados pelo Hamas mataram 1.200 pessoas e fizeram 251 reféns em uma incursão através da fronteira que traumatizou os israelenses, que têm cobrado do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu uma prestação de contas.

Os bombardeios e as operações terrestres realizados posteriormente por Israel em Gaza mataram mais de 74 mil pessoas, incluindo pelo menos 1.400 no último ano, desde um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, que interrompeu os principais combates, mas não conseguiu pôr fim aos ataques israelenses nem garantir o desarmamento do Hamas.

Em Kfar Aza, onde militantes do Hamas mataram dezenas de israelenses antes de levar 19 reféns para Gaza, moradores realizaram uma vigília pelas vítimas, permanecendo em silêncio enquanto um trompete tocava um solene toque de homenagem. Um morador leu os nomes dos mortos.

Zion Regev, líder comunitário do kibutz, disse que a maioria dos moradores continua deslocada e ainda não retornou, enquanto o trauma do 7 de Outubro continua a marcar suas vidas.

“Esta é a primeira vez que fazemos tudo aqui no kibutz”, disse Regev sobre a vigília. “É um dia de muita emoção, é um dia muito difícil para nossa comunidade, três anos depois do 7 de Outubro.”

Em outras partes de Israel, manifestantes que criticam o que consideram uma falta de responsabilização pela falha de segurança se reuniram diante do Parlamento, em Jerusalém, culpando Netanyahu por se recusar a realizar uma investigação independente sobre o ataque.

Alguns manifestantes carregavam cartazes com os dizeres: “O povo se lembrará de 7 de outubro em 27 de outubro”, em referência às eleições gerais israelenses, marcadas para daqui a 20 dias e vistas como um referendo sobre o longo período de Netanyahu no poder.

“Precisamos de mudança, precisamos de esperança e precisamos saber que temos um governo que se importa com a população e que não trabalha apenas para si mesmo”, disse a manifestante Shaked Arrad.

Netanyahu rejeitou a responsabilidade pela falha de segurança e resistiu aos pedidos por uma investigação independente. Isso frustrou muitos israelenses, incluindo familiares de pessoas mortas nos ataques, alguns dos quais entraram na disputa eleitoral.

Na véspera do aniversário, ele disse em uma reunião de gabinete que os israelenses “recordam com tristeza e dor nossos heróis que tombaram na Guerra da Redenção e nossos irmãos e irmãs que morreram no terrível massacre nas comunidades da fronteira com Gaza”.

Pesquisas eleitorais mostram que nem Netanyahu nem seus principais adversários conseguiriam cadeiras suficientes no Parlamento para formar uma coalizão caso a eleição fosse realizada hoje. Uma mulher coloca a mão sobre uma placa com fotos de vítimas no local do festival de música Nova, onde participantes foram mortos e sequestrados durante o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 REUTERS/Ronen Zvulun

Deslocados em Gaza relembram vida antes da guerra Este é o primeiro aniversário desde o acordo de cessar-fogo de 10 de outubro de 2025, que deixou Israel no controle de cerca de dois terços de Gaza, onde demoliu construções que ainda permaneciam de pé e ordenou a saída dos moradores.

O Hamas controla o terço restante do território, uma estreita faixa no litoral onde a maior parte dos 2 milhões de habitantes vive em tendas improvisadas e edifícios destruídos por bombardeios.

No episódio mais recente de violência, médicos em Gaza disseram nesta quarta-feira que as forças israelenses realizaram ataques aéreos em Beit Lahia, no norte de Gaza, e em Khan Younis, no sul, matando pelo menos dois palestinos e ferindo outros. As Forças Armadas israelenses disseram ter atingido um alvo de militantes em Beit Lahia, sem fornecer detalhes. Não houve comentário imediato sobre o ataque em Khan Younis.

Umm Mohammad, mãe de cinco filhos que foi deslocada da Cidade de Gaza e agora vive com o marido e os filhos em um acampamento de tendas em Deir Al-Balah, disse que a guerra desestruturou sua família.

“Éramos uma família feliz e unida. A guerra nos deslocou. Meu filho deixou Gaza, o outro foi para uma tenda separada, minhas filhas foram com seus maridos para outras partes da Faixa e raramente nos encontramos”, disse.

Neste dia, afirmou, “lembramos como éramos felizes, apesar de todos os problemas, antes de a guerra começar e destruir tudo o que amávamos”.

Palestinos caminham por uma rua cercada por prédios destruídos em ataques militares israelenses durante a guerra entre Israel e o Hamas AP Photo/Abdel Kareem Hana

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