Israel e Líbano participam de rodada diplomática direta nos EUA em meio a recrudescimento da guerra no front
À medida que novos bombardeios lançados pelas Forças Armadas de Israel atingem o sul do Líbano nesta terça-feira, autoridades dos dois países se preparam para o primeiro diálogo direto entre os dois países desde 1993 em Washington, em uma tentativa de encontrar um acordo para interromper uma frente de guerra que opõe militares israelenses e o movimento libanês Hezbollah — e afeta amplamente milhões de civis, entre mortos, feridos e deslocados, além daqueles que moram em áreas urbanas perto de locais atingidos. Confrontos corpo a corpo entre soldados israelenses e homens do grupo armado recrudesceram nos últimos dias, segundo o Exército israelense.
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A rodada diplomática foi descrita por autoridades como um primeiro encontro, de caráter preparatório. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, participará da mediação, enquanto os embaixadores de Israel e Líbano nos EUA são esperados como parte das equipes no diálogo. Não há expectativa de um acordo nesta terça, incluindo pelos renovados ataques no front e as declarações dos governos envolvidos e do Hezbollah, que não participa da negociação.
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O presidente do Líbano, Joseph Aoun, disse na segunda-feira ao ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, que o governo espera um cessar-fogo para que negociações diretas sobre uma solução de longo prazo para os dois países, que não mantêm relações diplomáticas seja diretamente negociada. Enquanto um fim das hostilidades é apontado por Beirute como ponto central, o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, descartou uma trégua e afirmou que não interromperá os ataques. Ele disse que o objetivo das discussões em Washington é o desarmamento do o Hezbollah, além da paz duradoura.
Se a tratativa bilateral já apresenta gargalos importantes, o cenário se torna ainda mais complexo com a oposição do Hezbollah ao início dos diálogos. O líder do grupo, Naim Qassem, afirmou em um discurso televisionado na segunda-feira que rejeita categoricamente as conversas, pedindo às autoridades libanesas que cancelem as negociações para não se tornarem "uma ferramenta de Israel", apontando a tratativa como uma "capitulação e rendição" a um país que pretenderia "ocupar o Líbano".
Horas antes do início das tratativas, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou que o Estado judeu aspira à "normalização" das relações com o Líbano. Porém, apontou que o grupo, considerado terrorista por Israel, seria um obstáculo ao processo.
— Queremos alcançar a paz e a normalização com o Estado libanês... Não há grandes disputas entre Israel e o Líbano. O problema é o Hezbollah — afirmou o ministro durante uma coletiva de imprensa. — O problema para a segurança de Israel é o problema para a soberania do Líbano. É o Hezbollah, é o mesmo problema. E esse problema precisa ser resolvido para que possamos avançar para uma nova fase.
Além da disputa histórica sobre o traçado da fronteira entre os dois países, autoridades libanesas já demonstraram preocupação com os avanços israelenses sobre o sul do território, onde os militares israelenses atuam ativamente desde o início da guerra. O governo israelense declarou publicamente que deseja criar uma nova realidade de segurança regional, o que incluiria uma espécie de zona-tampão entre o norte de Israel e o sul do Líbano. Não está claro se há pretensão de um ganho territorial na área.
Pressão internacional
As negociações foram convocadas em um momento em que o apelo internacional por um cessar-fogo no Líbano atingiram um alto patamar, sobretudo após um ataque israelense na quarta-feira, um dia após o estabelecimento de um cessar-fogo com o Irã, que matou ao menos 357 pessoas — uma ação que o governo libanês denunciou ter atingido áreas densamente povoadas.
As condenações aos últimos ataques israelenses se espalharam pelo mundo. O Papa Leão XIV assumiu um discurso abertamente crítico contra a manutenção da guerra, enquanto muitos dos líderes europeus exigiram um cessar-fogo ou ações limitadas à autodefesa. Citando o contexto atual, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou nesta terça-feira que suspenderia um acordo de defesa que envolve o intercâmbio de equipamentos militares e pesquisa tecnológica com Israel.
ATAQUE AO LÍBANO
— Diante da situação atual, o governo decidiu suspender a renovação automática do acordo de defesa com Israel — disse Meloni aos jornalistas à margem de um evento em Verona.
O Líbano enfrenta semanas de bombardeios israelenses que já deslocaram mais de um milhão de residentes e, segundo o Ministério da Saúde libanês, mataram mais de 2 mil pessoas e feriram mais de 6,7 mil até segunda-feira.
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A guerra entre Hezbollah e Israel reacendeu no mês passado depois que o Hezbollah atacou Israel em solidariedade ao Irã. Desde então, o grupo lançou mais de 6,5 mil foguetes, mísseis e drones contra Israel, de acordo com o Exército israelense.
As Forças Armadas do Estado judeu também informaram nesta terça-feira que confrontos noturnos entre soldados israelenses e homens do Hezbollah deixaram 10 soldados feridos na cidade de Bint Jbeil, no sul do Líbano, cercada pelas forças do país. De acordo com o Exército, os combates nos últimos dias envolveram confrontos corpo a corpo, e ao menos três soldados teriam ficado gravemente feridos. (Com NYT e AFP)
