Israel afirmou que produtos comerciais deixaram de entrar na Faixa de Gaza devido ao que descreveu como uma disputa sobre impostos entre comerciantes locais e o Hamas, interrompendo uma fonte vital de alimentos e outros produtos no território, cuja população depende de ajuda humanitária. Leia também: Questão palestina some de debates em eleição sem precedentes em Israel Gaza vive risco de nova escalada em meio a um frágil cessar-fogo Três anos depois, massacre do 7 de Outubro põe Netanyahu à prova em eleição de Israel
O Cogat, órgão militar israelense responsável por supervisionar os assuntos humanitários em Gaza, fez o anúncio em comunicado na quarta-feira, citando o que afirmou ter sido uma decisão dos comerciantes de Gaza de interromper a coordenação com o órgão para a entrada de produtos comerciais.
Segundo o Cogat, os comerciantes de Gaza informaram que haviam tomado a decisão em resposta a uma taxa de 10 mil shekels (US$ 3.220) imposta pelo Hamas sobre cada caminhão que entra em Gaza e à exigência de que 30% de todas as suas vendas no território fossem realizadas em dinheiro vivo.
O Hamas afirmou posteriormente que a taxa de 10 mil shekels era uma contribuição voluntária de moradores ricos de Gaza para um fundo nacional destinado a atender pessoas necessitadas, como viúvas e órfãos. O grupo também afirmou que os pagamentos em dinheiro vivo eram incentivados devido ao que descreveu como uma grave escassez de dinheiro em espécie no território devastado pela guerra.
A maioria dos moradores de Gaza depende de suprimentos de ajuda humanitária, após três anos de guerra, deslocamentos repetidos e severas restrições impostas por Israel às entregas de ajuda.
Um organismo internacional de monitoramento da fome alertou em julho que mais de dois terços dos moradores de Gaza poderiam enfrentar fome aguda até o fim do ano. Cerca de 2 milhões de pessoas vivem no território, a maioria em abrigos improvisados.
Nahed Shhaibar, chefe do sindicato dos transportadores privados de Gaza, afirmou que nenhum caminhão transportando produtos comerciais de Israel entrou em Gaza nesta quinta-feira. No entanto, disse que caminhões com ajuda humanitária haviam entrado, assim como caminhões transportando produtos comerciais do Egito por uma passagem controlada por Israel.
Segundo o Cogat, a suspensão da entrada de mercadorias comerciais reduziria pela metade o fluxo diário de caminhões com produtos e ajuda humanitária destinados a Gaza, para cerca de 300 veículos.
No entanto, diplomatas afirmam que o número de caminhões que normalmente entram no território já é muito inferior a 600 por dia. Shhaibar estima que esse fluxo seja de aproximadamente 300 veículos, dos quais dois terços transportam mercadorias comerciais.
Pelos termos de um acordo mediado pelos Estados Unidos, Israel deve permitir a entrada de pelo menos 600 caminhões de ajuda humanitária por dia em Gaza. O governo israelense, porém, sustenta que sua obrigação se limita a 600 caminhões diários e que a entrada de mercadorias comerciais é necessária para complementar o abastecimento da população.
Maioria dos moradores de Gaza depende de suprimentos de ajuda humanitária, após três anos de guerra, deslocamentos repetidos e severas restrições impostas por Israel às entregas de ajuda AP/Abdel Kareem Hana
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