Irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un ameaça 'consequências terríveis' por exercícios militares dos EUA e da Coreia do Sul
A poderosa irmã do líder da Coreia do Norte advertiu nesta terça-feira sobre “consequências terríveis” devido às manobras militares conjuntas realizadas atualmente por Coreia do Sul e Estados Unidos.
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Seul e Washington iniciaram na segunda-feira os exercícios militares “Escudo de Liberdade”, com cerca de 18 mil soldados sul-coreanos, que devem se estender até 19 de março. Não foi informado quantos militares americanos participam.
A Coreia do Norte afirma que esses exercícios anuais são ensaios para uma invasão.
Kim Yo Jong, muito próxima de seu irmão Kim Jong Un, declarou que os exercícios conjuntos “podem ter consequências terríveis e inimagináveis”, segundo a agência estatal de notícias Korean Central News Agency.
A irmã do líder foi recentemente nomeada chefe do departamento de assuntos gerais do partido governista norte-coreano, cargo que analistas consideram semelhante ao de secretária-geral.
Ela afirmou que as manobras ocorrem em “um momento crítico em que a estrutura da segurança global colapsa rapidamente e guerras eclodem em diferentes partes do mundo”.
Pyongyang também condenou os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, afirmando que eles revelam o caráter “rufiã” de Washington.
Figura poderosa
Kim Yo-Jong, irmã mais nova e braço direito do líder norte-coreano Kim Jong-Un, é uma das figuras mais poderosas da Coreia do Norte após sua promoção mais recente, com um papel de destaque na diplomacia do país que tem capacidade de fabricar bombas nucleares. A imprensa estatal anunciou a nomeação de Kim Yo-Jong como diretora de departamento no Comitê Central do Partido dos Trabalhadores, cargo equivalente a uma pasta ministerial, segundo analistas.
O congresso do Partido dos Trabalhadores, que começou em 19 de fevereiro, dá uma ideia do funcionamento político da Coreia do Norte. O evento é considerado uma tribuna que permite a Kim demonstrar seu controle à frente do país.
Durante o congresso, também foi atribuído um papel de destaque a uma filha do dirigente, Ju Ae. Os serviços de inteligência da Coreia do Sul afirmam que a adolescente é uma possível herdeira de Kim Jong-Un em um país que nunca foi governado por uma mulher. Sobre a irmã do líder norte-coreano, há poucas informações. Ela já fez declarações contundentes sobre política externa, contra a Coreia do Sul e os Estados Unidos.
Ela chamou o governo do ex-presidente sul-coreano Yoon Suk-Yeol de "cão fiel" dos Estados Unidos. Mas o tom de seu discurso foi suavizado com a chegada ao poder, no ano passado em Seul, de Lee Jae Myung, que busca melhorar as relações com o Norte. Nascida em 1988, segundo o governo sul-coreano, Kim Yo-Jong é filha da união entre o falecido líder Kim Jong Il e sua terceira companheira conhecida, a ex-bailarina Ko Yong Hui. O casal teve três filhos.
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Experiente
Assim como Kim Jong-Un, ela estudou na Suíça e ascendeu rapidamente na hierarquia do regime a partir do momento em que o irmão herdou o poder, após a morte do pai em dezembro de 2011. Ela mantém um vínculo especial com ele porque os dois são filhos de Ko Yong Hui.
"Kim Yo-Jong é uma das poucas pessoas em quem Kim Jong-Un pode confiar e em quem pode se apoiar", avalia Ahn Chan Il, pesquisador nascido na Coreia do Norte.
Ela fez sua primeira aparição oficial na imprensa norte-coreana em 2009, ao acompanhar o pai em uma visita a uma Universidade de Agronomia. Depois, foi uma figura habitual no círculo de Kim Jong Il até sua morte. Nas fotos do funeral, apareceu em posição de destaque, logo atrás de Kim Jong-Un.
Durante a viagem de trem de 60 horas do irmão para participar da segunda reunião de cúpula com o presidente americano Donald Trump, em fevereiro de 2019, em Hanói, ela foi vista carregando um cinzeiro quando ele desceu para fumar em uma plataforma. Kim Yo-Jong "também ocupou funções oficiais durante as reuniões de cúpula entre Kim e Trump em Singapura e Hanói", destaca Ahn Chan-il, o que a torna uma dirigente "experiente e calejada".
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Pyongyang nunca divulgou oficialmente informações sobre sua situação matrimonial ou eventuais filhos. Raras imagens divulgadas no ano passado pela imprensa estatal a mostraram em uma exposição de arte ao lado de duas crianças pequenas.
Primeira da família a visitar o Sul
Kim Yo-Jong apareceu no cenário internacional em 2018, quando acompanhou os Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang. Ela se tornou a primeira integrante da dinastia a viajar ao Sul. Suas expressões enigmáticas, suas roupas, o modo de escrever, tudo foi minuciosamente analisado.
O coordenador da delegação olímpica norte-coreana, que também era o chefe de Estado protocolar do país naquele momento, cedeu o assento de honra quando chegaram a Seul para manter breves conversas com funcionários de alto escalão sul-coreanos. Muitos viram nisso um sinal de seu status.
