Em Indian Wells, João Fonseca tem o maior desafio da carreira dentro de quadra diante de Sinner; veja horário

 

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O brasileiro João Fonseca vive uma das semanas mais importantes de sua jovem carreira no tênis. Aos 19 anos, o carioca alcançou as oitavas de final do Masters 1000 de Indian Wells, considerado o "quinto Grand Slam". Ele terá pela frente o maior desafio de sua trajetória dentro de quadra até agora ao enfrentar o atual número 2 do mundo, Jannik Sinner, nesta terça-feira, não antes das 22h (de Brasília).

Vindo de um início de temporada ruim, entre lesões e derrotas em estreias, Fonseca chegou às oitavas após três vitórias convincentes. Na estreia, superou o belga Raphael Collignon em sets diretos. Depois protagonizou uma batalha contra o russo Karen Khachanov, vencendo em três sets. Já na terceira rodada, confirmou o bom momento ao derrotar o norte-americano Tommy Paul por 6/2 e 6/3.

O placar, no entanto, não traduz completamente o que aconteceu em quadra. Apesar do domínio do brasileiro em momentos importantes, a partida exigiu controle emocional, paciência e maturidade. São características que começam a aparecer com mais clareza no jogo do jovem tenista.

Para o comentarista da ESPN Sylvio Bastos, o desempenho foi sólido, mas ainda não representa o auge do nível apresentado por Fonseca.

— Não acho que o nível de tênis que o João jogou contra o Tommy Paul foi o melhor da carreira. Para mim, alguns jogos do ano passado tiveram um nível mais elevado. A melhor apresentação dele foi em Basel, na semifinal contra Minaur. Ali ele chegou muito perto da perfeição — analisou.

Maturidade crescente

Na avaliação de Bastos, a partida contra Paul mostrou algo fundamental para a evolução de Fonseca: a capacidade de escolher melhor os momentos de atacar.

—Era um jogo em que ele tinha um adversário que jogava, mas deixava jogar. Ele entendeu que precisava ter paciência para esperar o momento certo de ir para cima. E paciência é algo que você adquire com o tempo — afirmou.

O cenário, no entanto, será completamente diferente diante do italiano. Sinner costuma tomar as rédeas da partida e é um dos jogadores mais consistentes do circuito, ao lado de Carlos Alcaraz, número 1 do mundo. Ambos vêm ano a ano se revezando como campeões dos Grand Slams.

Fonseca já mostrou um repertório técnico capaz de desafiar qualquer adversário. Mas encontrará do outro lado um jogador que não deixa a intensidade cair ao longo da partida. Qualidade, inclusive, primordial para chegar ao topo do ranking.

— O nível de tênis que o João pode jogar permite competir de igual para igual com qualquer um. Mas do outro lado vai ter alguém que já esteve nessa situação milhares de vezes. Para o João, ainda é tudo novidade — afirma Bastos, acrescentando. — Se você pegar entre os 200 ou 300 melhores do mundo, todos jogam muito bem. A diferença está em quanto tempo conseguem jogar bem.

Independentemente do resultado da partida, cujo favoritismo de Sinner é inegável, o confronto em Indian Wells representa um passo importante no processo de desenvolvimento do brasileiro. Fonseca terá a oportunidade de medir forças com a elite do tênis e a jogar no mais alto nível de exigência.

— Se você olhar apenas para o ranking do adversário, esse é o maior desafio da carreira dele. Mas, para mim, o maior desafio do João é ele próprio. É o amadurecimento, a evolução diária, buscar ser a melhor versão dele mesmo o tempo todo. E esses grandes adversários servem para puxar o jogador para um nível mais alto — resume.

Não será a primeira vez que os dois tenistas dividem a quadra. O brasileiro já atuou como sparring do italiano na ATP Finals de 2023, quando também bateu bola com Alcaraz. À época, um conselho de Sinner influenciou a decisão de Fonseca sobre seu futuro.

— Eu era um sparring e nós treinamos no primeiro ou segundo dia. Ele é uma pessoa muito legal. Desde o começo, eu estava pensando em ir para a universidade. Eu estava comprometido com a (Universidade da) Virgínia e ele me perguntou: “Você vai para a universidade?” Ele disse: “Você é bom demais para isso, vá para o profissional.” — contou Fonseca em entrevista após o ocorrido.