O Irã apresentou aos Estados Unidos uma nova proposta para reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias e retomar negociações mais amplas para pôr fim à guerra, afirmou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Leia também: EUA e Irã discutem acordo em etapas para reabrir Ormuz e encerrar bloqueio americano, dizem fontes Arábia Saudita intercepta mísseis houthis em meio à escalada regional Sob vaias na ONU, Netanyahu defende ações de Israel e ataca prefeito de NY Segundo Araghchi, o plano foi encaminhado à Casa Branca por meio de mediadores e prevê que, caso determinadas condições sejam cumpridas, o tráfego pelo estreito seja restabelecido dentro de uma semana. “No momento em que aceitarem esse plano, a partir do dia seguinte esse cronograma poderá começar e, depois de sete dias, o estreito estará aberto”, afirmou o chanceler na ocasião.
A proposta, disseram iranianos consultados pelo jornal britânico Financial Times, se baseia no memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã em junho, que previa a flexibilização das restrições às exportações de petróleo do Irã e a retomada gradual da navegação por Ormuz. Ao mesmo tempo, os dois países deveriam negociar por 60 dias um acordo mais duradouro que envolvesse questões mais sensíveis, como o destino do urânio iraniano altamente enriquecido.
Além disso, pelo documento de junho, Israel deveria interromper suas operações militares no Líbano contra o Hezbollah, milícia apoiada por Teerã, ao passo em que o Irã e Omã discutiriam como a administração da navegação por Ormuz seria feita futuramente.
O entendimento, porém, ruiu no início de julho, após a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) disparar contra embarcações que, de acordo com Teerã, utilizavam uma rota “não autorizada” para atravessar o estreito.
O governo do presidente Donald Trump já indicou, entretanto, que não pretende retomar o acordo de junho, alvo de críticas entre republicanos e democratas, e que busca um entendimento mais abrangente, que inclua também o programa nuclear iraniano. Uma autoridade da Casa Branca afirmou ao Financial Times que Washington e Teerã mantêm “discussões positivas e construtivas” por meio de mediadores, mas disse que os EUA “não têm pressa” para fechar um acordo.
Ao discursar na ONU na terça-feira, Trump acusou o Irã de prorrogar as discussões para um acordo na esperança de que o Partido Republicano seja derrotado nas eleições legislativas de meio de mandato.
O chefe da Casa Branca ainda ameaçou levar os iranianos “ao inferno, sem chance de sobrevivência e sem esperança de grandeza futura ou para as próximas gerações” caso não aceitassem seus termos, e insistiu que, “quando se trata do Irã, [a eleição] nem sequer passa pela minha cabeça”. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversa com jornalistas no gramado sul da Casa Branca, em Washington, em 23 de setembro de 2026, após receber o presidente da China, Xi Jinping, na Base Conjunta Andrew AP/Manuel Balce Ceneta
O conflito no Oriente Médio fez com que os preços da gasolina e do diesel escalassem a níveis recordes no território americano em razão do fechamento de Ormuz e da interrupção de exportações de petróleo da Arábia Saudita pelo estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, por causa das ameaças dos houthis do iêmen. Diante desse cenário, a insatisfação dos eleitores americanos com a disparada dos combustíveis se tornou uma questão crucial nas eleições legislativas em meio às preocupações com o custo de vida.
Araghchi afirmou que Teerã “não tem pressa” para chegar a um acordo, mas reiterou achar “melhor” que um entendimento fosse alcançado antes das eleições americanas. “Mas cabe ao governo dos EUA decidir. Não nos importamos com o momento.”
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