Irã fecha Ormuz devido a violações do acordo, diz Guarda Revolucionária; EUA negam
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou, neste sábado (20), ter fechado novamente o Estreito de Ormuz, sob a justificativa de que os Estados Unidos e Israel violaram termos do memorando de entendimento assinado nesta semana pelo presidente americano, Donald Trump, e seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian.
A Guarda Revolucionária advertiu as embarcações a não se aproximarem da via marítima, uma rota vital para o abastecimento global de petróleo e gás, citando o que chamou de "crimes" de Israel no Líbano e o descumprimento, por parte dos EUA, dos compromissos assumidos para estabelecer um cessar-fogo. Segundo a corporação, a segurança das embarcações estará em risco caso elas se aproximem do estreito.
Mais cedo, o Comando Central Khatam al-Anbiya, principal comando militar conjunto do Irã, havia adiantado que estreito seria fechado ao tráfego de embarcações, também citando supostas violações de um acordo de cessar-fogo por parte dos Estados Unidos e de Israel, informou a agência estatal iraniana Mehr.
Segundo o comando, o fechamento é a "primeira etapa" de uma resposta ao que descreveu como descumprimento de compromissos e advertiu que novas medidas serão adotadas caso a "agressão" continue.
As Forças Armadas dos Estados Unidos negaram, entretanto, a afirmação do Irã de que o Estreito de Ormuz foi fechado, dizendo que a via marítima estratégica permanece aberta e que as forças americanas monitoram a situação para garantir que isso continue.
"O Irã não controla o Estreito de Ormuz", disse à Reuters o porta-voz do Comando Central dos EUA (Centcom), capitão da Marinha Tim Hawkins. "O tráfego continua fluindo, e as forças dos EUA estão monitorando a situação para garantir que isso permaneça assim."
Em entrevista à Fox News, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, afirmou que “não há evidências” de que o Irã esteja fechando a hidrovia considerada vital para o comércio global de petróleo e gás natural.
Neste sábado, ataques israelenses mataram pelo menos 16 pessoas no Líbano horas depois de uma trégua entrar em vigor entre Israel e o Hezbollah.Tanto o país comandado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu quanto o grupo xiita apoiado por Teerã alegaram direito de defesa para justificar a nova troca de hostilidades.
A interrupção dos combates no Líbano é uma condição estabelecida no memorando de entendimento assinado nesta semana pelos EUA e pelo Irã para o início de 60 dias de negociações entre os países. A nova rodada de tratativas tem como objetivo maior resolver disputas sobre o programa nuclear iraniano e outras questões mais delicadas. Ainda não está claro quando essas negociações poderão começar.
