Condenado e preso por participação em protestos que aconteceram no Irã no começo do ano, Alireza Sepahi, de 25 anos, foi executado por enforcamento em 5 de outubro na prisão de Isfahã, no centro do país. Pouco antes de sua morte, ele se casou por telefone com sua noiva, Mahshad Kashani, de 22 anos, que também foi detida por participar dos protestos. Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), o Irã executou 34 pessoas em decorrência dos protestos em massa que aconteceram entre o fim de 2025 e começo de 2026. Prevista para dezembro: EUA seguem Irã e Estado Islâmico ao prever público e transmissão para execução de militar condenado à morte Quer mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países De acordo com a agência de notícias Mizan, ligada ao Poder Judiciário, Sepahi morreu junto de Alireza Raissi, de 21 anos. Ambos foram condenados por integrar um grupo armado e colocar em risco a segurança nacional após participarem de um protesto na Praça Alikhani, em 8 de janeiro. Segundo as autoridades, quatro policiais morreram durante o protesto. Alireza Sepahi, de 25 anos, e Alireza Raissi, de 21 anos, foram mortos após condenação por participação em manifestação contra o Irã Reprodução / ONG Iran Human Rights Grupos de direitos humanos afirmam que as manifestações foram reprimidas com violência, resultando na morte de milhares de pessoas. 'Todos os dias com medo' Sepahi foi preso em 10 de janeiro, poucos dias após os fatos pelos quais era acusado, juntamente com sua mãe, que foi condenada a cinco anos de prisão.
Segundo a ONG Abdorrahman Boroumand Center, sediada nos Estados Unidos, o processo contra o jovem apresentou "graves falhas processuais", incluindo o "desprezo por provas da defesa", como gravações que mostrariam que ele não estava na região no momento em que os policiais morreram.
Memória sob ataque: Seis meses de guerra destroem patrimônio humano no Irã e ameaçam séculos de história Segundo a IHR, após sua condenação, Sepahi deveria ter sido enforcado publicamente em 28 de julho, na Praça Alikhani, juntamente com outros dois homens, um deles seu primo, Abolfazl. No entanto, de acordo com Mai Sato, relatoria especial da ONU para os direitos humanos do Irã, o jovem "sofreu um ataque cardíaco e foi transferido para um hospital". — Ele recebeu alta alguns dias depois e retornou à prisão, onde viveu cada dia com medo da execução, até que ela finalmente ocorreu — acrescentou. Casamento à distância Nas horas anteriores à execução, Sepahi contou com a ajuda de seu advogado para se casar por telefone com Kashani, que também está detida. A cerimônica aconteceu à distância, pois as autoridades penitenciárias negaram ao casal um encontro presencial. Os pais dos noivos autorizaram a realização do matrimônio. — Os advogados esperavam que o casamento servisse para adiar a execução, mas as autoridades afirmaram que a noiva não era considerada familiar do prisioneiro e impediram uma cerimônia presencial — disse Roya Boroumand, cofundadora do Centro Abdorrahman Boroumand. Sato afirmou que, mesmo após a execução, "o horror continuou para sua família", porque o corpo não foi devolvido para sepultamento em Isfahã, mas transferido para Kashan, cidade situada a cerca de 200 quilômetros de distância.
O Globo