Irã defende que negociações exigem 'boa fé' e não 'imposição' e 'ditadura'

 

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Em uma aparente referência às negociações com os Estados Unidos e ao comentário do presidente americano, Donald Trump, de que o Irã precisaria aceitar as propostas, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, rebateu.

Em uma publicação nas redes sociais, ele disse que as negociações exigem 'boa fé' e não 'imposição', citando também como errado da outra parte 'ditadura', 'engano', 'extorsão' ou 'coerção'.

Uma das principais autoridades iranianas no campo da segurança, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional do Irã, afirma nesta quarta-feira (6) que o conteúdo do memorando de uma página dos Estados Unidos para pôr fim à guerra, 'se assemelha mais a uma lista de desejos americana do que à realidade'.

O portal de notícias americano Axios informou que a Casa Branca acredita estar cada vez mais perto de um acordo com o Irã para acabar com conflito.

Entre as propostas estão uma moratória no enriquecimento nuclear iraniano, o acordo dos EUA em suspender as sanções contra Teerã e a suspensão, por ambas as partes, das restrições ao trânsito pelo Estreito de Ormuz.

'Os americanos não conseguirão, por meio de uma guerra fracassada, o que não conseguiram obter em negociações diretas. O Irã está com o dedo no gatilho e pronto para agir; se não se render e conceder as concessões necessárias, ou se eles ou seus aliados diabólicos tentarem agir de forma maliciosa, daremos uma resposta dura e lamentável', declarou Ebrahim Rezaei nas redes sociais.

Em meio a isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que está 'cedo demais' para se preparar para negociações de paz presenciais com o Irã e para assinatura de um acordo. A afirmação foi feita ao jornal New York Post nesta quarta-feira (6).

Ela surge horas após relatos do site Axios e da agência Reuters indicarem que Washington e Teerã estavam próximos de um acordo preliminar para encerrar a guerra.

'Acho que não', disse Trump ao jornal quando questionado se deveriam começar os preparativos para uma possível viagem ao Paquistão para uma cerimônia de assinatura de paz.

'Acho que vamos fazer isso – é longe demais. Não, é demais', completou.

Trump já havia declarado que queria viajar ao Paquistão para assinar um acordo formal, em respeito aos esforços do chefe da defesa paquistanesa, Asim Munir, para aproximar Washington e Teerã.

Segundo a imprensa americana, EUA e o Irã estavam se aproximando de um memorando com o objetivo de pôr fim ao conflito que já dura 67 dias.

Trump havia dito anteriormente no Truth Social que o Estreito de Ormuz seria reaberto para toda a navegação se o Irã aceitasse o acordo proposto, alertando que, caso contrário, os bombardeios dos EUA seriam retomados com maior intensidade.

Irã afirma que passagem pelo Estreito de Ormuz está liberada após fim da operação dos EUA

Embarcação no Estreito de Ormuz.

PUNIT PARANJPE /AFP

A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou em um comunicado nesta quarta-feira (6) que a passagem segura e estável pelo Estreito de Ormuz seria garantida após o que descreveu como a neutralização das 'ameaças de agressores' e a introdução de novos protocolos marítimos.

'Com as ameaças do agressor neutralizadas e os novos protocolos em vigor, a passagem segura e estável pelo Estreito de Ormuz será garantida', diz o texto.

A Guarda Revolucionária também agradeceu aos capitães e proprietários de navios que operam no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã por cumprirem as regulamentações iranianas do Estreito de Ormuz.

A notícia surge após o presidente Donald Trump anunciou a suspensão temporária da operação militar para destravar o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz.

O republicano tentou justificar o recuo, dizendo que um plano de paz definitivo com os representantes do Irã está próximo

Trump afirmou que a pausa é um 'gesto de boa vontade' para verificar se um acordo final com o Irã, mediado pelo Paquistão, pode ser assinado.

Nas redes sociais, o presidente americano declarou que houve 'grande progresso' nas conversas.

Antes de anunciar a trégua na escolta, Trump demonstrou otimismo sobre um possível acordo para o fim da guerra, mas acusou o Irã de fazer jogo duplo.

Com o fechamento do Estreito de Ormuz, os estoques globais de petróleo despencaram a um nível sem precedentes e são os mais baixos em 8 anos.

Abril registrou a maior queda já documentada para um único mês. Segundo uma agência internacional de inteligência de mercado, houve uma redução de 200 milhões de barris – o equivalente a mais de 6 milhões de barris por dia.

Até o início da guerra, 20% de todo o petróleo comercializado no mundo passavam pelo Estreito de Ormuz.

Com a perspectiva de que o acordo de paz poderá ser assinado, o preço do petróleo hoje teve um leve recuo e está na casa dos 108 dólares o barril do tipo Brent, referência internacional.