Irã chama plano de 15 pontos de Trump para fim da guerra de 'lista de desejos' e 'especulação'

 

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Em mais uma declaração nesta quarta-feira (25), o Irã rechaçou o plano com 15 pontos proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para finalizar a guerra no Oriente Médio. Dessa vez, a afirmação foi de Elias Hazrati, chefe do conselho de informações do governo iraniano.

Ele chamou o plano de 'especulação da mídia' e uma 'lista de desejos', dizendo que os pontos relatados refletiam objetivos que Washington buscava por meio de ações militares e que posteriormente delineou por conta própria.

'Essas são especulações da mídia e mentiras do Sr. Trump. Não deem muita atenção a elas', afirmou.

Seus comentários surgem após uma fonte iraniana de alto escalão ter dito à Reuters que o Paquistão entregou uma proposta dos EUA ao Irã, com possíveis negociações para reduzir a escalada da guerra em discussão.

Antes, o governo iraniano voltou a negar qualquer tipo de negociação em curso com os EUA e declarou não saber nada sobre o plano.

Inicialmente, o embaixador do Irã no Paquistão, Reza Amiri Moghadam, declarou que os detalhes foram ouvidos pela mídia, mas que, até o momento, 'não houve negociações, diretas ou indiretas, entre os dois países'.

Ele acrescentou que é 'natural que países amigos estejam sempre em consulta com ambos os lados para pôr fim a essa agressão ilegítima'.

Do outro lado, a Rússia foi questionada sobre o plano, afirmando que não recebeu por parte do Irã nenhuma confirmação sobre a proposta. A afirmação é do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Apesar disso, a agência de notícias Reuters afirma, citando uma fonte iraniana do alto escalão, que o Paquistão entregou uma proposta dos EUA a Teerã, e o local das negociações ainda está sendo discutido.

O Irã ainda disse nesta quarta-feira (25) que não negocia e nem negociará com os Estados Unidos porque não é possível confiar na diplomacia americana. A afirmação é do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, primeira grande autoridade do governo iraniano a comentar abertamente sobre o tema.

Ele rejeitou os esforços de mediação, citando a traição à diplomacia quando o Irã foi atacado duas vezes durante negociações nucleares anteriores, antes do início do conflito.

Baghaei disse que o Irã não pode confiar na diplomacia americana e que as forças armadas iranianas estão focadas na defesa do território do país. Ele reconheceu que vários países, incluindo o Paquistão, ofereceram mediação, mas enfatizou que o Irã está sob bombardeio constante.

'Temos uma experiência catastrófica com a diplomacia americana. Fomos atacados duas vezes em um intervalo de nove meses, enquanto estávamos em meio a um processo de negociação para resolver a questão nuclear. Isso foi uma traição à diplomacia – uma expressão agora amplamente usada no Irã – e aconteceu não uma, mas duas vezes. Ninguém pode confiar na diplomacia americana. Nossas bravas forças armadas estão atualmente focadas em defender o território e a soberania do Irã contra esta guerra brutal e ilegal', declarou.

Irã está cobrando pedágio de US$ 2 milhões para navios passarem no Estreito de Ormuz, diz agência

Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã.

Reprodução/Nasa

O Irã está liberando a passagem de alguns navios pelo Estreito de Ormuz. Se, em alguns casos, isso acontece mediante negociação entre o país e o governo iraniano, na maior parte dos casos é através de uma espécie de pedágio.

A agência de notícias Bloomberg destaca que alguns petroleiros sim retomaram a travessia, pagando um valor que chega a US$ 2 milhões.

Do outro lado, Teerã enviou uma carta à Organização Marítima Internacional anunciando que Ormuz está aberto a embarcações 'não hostis'.

O petróleo estendeu as quedas na abertura do mercado internacional, enquanto as ações asiáticas subiram nas primeiras negociações. O Brent, referência global, recuou mais de 2%, cotado a 94 dólares. A queda é uma resposta do mercado aos movimentos mais recentes da guerra no Oriente Médio.

Segundo o jornal The New York Times, um plano de paz enviado pelo governo americano ao Irã contém 15 pontos e propõe um cessar-fogo de 30 dias. Em troca, o regime se comprometeria em acabar com todo o enriquecimento de urânio e suspender o financiamento a grupos como o Hamas, na Faixa de Gaza, e o Hezbollah, no Líbano.

O acordo também fala em transformar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás, numa zona de livre navegação.

Ataques contra instalações energéticas do Irã em Isfahan.

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