Meninas são as maiores vítimas de abuso sexual e bullying, além de mais insatisfeitas com o corpo
As meninas são as principais vítimas de abuso sexual, bullying e insatisfação com a própria imagem no Brasil. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2024, divulgada pelo IBGE, a primeira após a pandemia.
Uma em cada quatro adolescentes relata já ter sido tocada, manipulada, beijada ou ter tido partes do corpo expostas contra a própria vontade. Entre as meninas, o índice chega a 26%, ante 20,1% em 2019.
No total, 18,5% dos estudantes disseram ter sofrido assédio sexual - alta de 3,8 pontos percentuais. Já os casos mais graves também cresceram: cerca de 1,1 milhão de adolescentes (8,8%) foram forçados a ter relações sexuais, avanço de 2,5 pontos. Entre as meninas, o percentual chega a 11,7%.
A violência impacta diretamente a rotina escolar. Em 2024, 12,5% dos alunos deixaram de ir à escola por falta de segurança no trajeto e 13,7% por medo dentro da própria unidade. No Rio de Janeiro, 25,6% dos estudantes foram afetados, o maior índice do país.
O ambiente ao redor das escolas também preocupa: 38% dos alunos estudam em áreas com venda de drogas, 28,4% em locais com assaltos e 13,6% em regiões com tiroteios.
A pesquisa acende ainda um alerta para a saúde mental. Um terço dos adolescentes afirmou já ter sentido vontade de se machucar. Entre as meninas, o índice (43,4%) é mais que o dobro do registrado entre meninos (20,5%).
O bullying também avançou. Nas redes, 12,7% dos estudantes disseram já ter sido ameaçados ou humilhados - entre meninas, 15,2%. Nas escolas, 23% relatam provocações, principalmente relacionadas à aparência do corpo (16,5%), do rosto (11,6%) e à cor ou raça (4,6%). No Sudeste, o problema se intensificou e atinge 28,1% dos alunos.
A insatisfação com o próprio corpo também cresceu. O percentual de jovens satisfeitos caiu de 70,2% em 2015 para 58% em 2024. Já a insatisfação chegou a 27,2% - e é quase o dobro entre meninas (36,1%) em relação aos meninos (18,2%).
Por outro lado, houve queda no consumo de drogas: o uso de substâncias ilícitas recuou 36,5% desde 2019, com maior redução na rede privada.
