Irã chama de 'invenções' afirmação dos EUA de que escola onde 170 estudantes morreram era base de mísseis
O Irã criticou as alegações do Comando Central dos EUA de que uma escola em Minab, onde pelo menos 175 pessoas morreram, era uma base de mísseis ativa. Em publicação nas redes sociais nesta quarta-feira (20), Esmail Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, descreveu o caso como uma 'invenção sem fundamento' e 'mentira descarada'.
Segundo ele, isso seria uma 'distorção descarada' para 'obscurecer a dura realidade dos ataques com mísseis de 28 de fevereiro, que resultaram no trágico massacre de mais de 170 crianças em idade escolar e seus professores'.
'Atacar uma instituição de ensino em funcionamento durante o horário escolar constitui uma grave violação do direito internacional humanitário e é um claro crime de guerra. A natureza civil do local não pode ser obscurecida por distorções técnicas. Os comandantes militares e as autoridades dos Estados Unidos responsáveis por ordenar e executar este ataque catastrófico devem ser responsabilizados integralmente perante o direito internacional', completou.
Uma investigação militar dos Estados Unidos sobre uma explosão em uma escola primária em Minab, cidade na província de Hormozgan, no sul do Irã, é 'complexa' porque a escola estava localizada em uma base ativa de mísseis de cruzeiro iranianos, disse o almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA, ao Congresso nesta terça-feira (19).
A Reuters havia relatado anteriormente que uma investigação militar interna inicial dos EUA concluiu que as forças americanas provavelmente foram responsáveis pela destruição da escola em Minab.
De acordo com fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters, a investigação militar interna mostrou que o ataque ao prédio da escola primária foi resultado de um erro de direcionamento por parte das Forças Armadas dos EUA. A escola, na cidade de Minab, fica no mesmo quarteirão que prédios usados pela Marinha da Guarda Revolucionária do Irã, um dos principais alvos dos ataques militares dos EUA.
As autoridades ouvidas pelo jornal americano New York Times enfatizaram que as conclusões são preliminares.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, apenas admitiu em um comunicado que o caso está em investigação, sem detalha-las. Já o presidente Donald Trump tem se esquivado das perguntas sobre culpa do ataque aos civis.
Israel foi surpreendido com fala de Trump que novo ataque ao Irã estava próximo, diz jornal israelense
Donald Trump e Benjamin Netanyahu em encontro na Casa Branca
ALEX WONG / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
As Forças Armadas de Israel foram surpreendidas quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trumpm afirmou, que estava 'a apenas uma hora' de decidir se ordenaria novos ataques ao Irã na noite anterior, segundo reportagem do jornal israelense Haaretz.
O jornal informou que os comandantes das Forças de Defesa de Israel acreditavam que o momento de qualquer retomada das hostilidades 'seria cuidadosamente coordenado com Israel com antecedência'.
A publicação afirmou que autoridades israelenses acreditavam que qualquer retomada dos ataques dos EUA contra o Irã 'poderia levar quase imediatamente ao envolvimento direto de Israel nos combates', acrescentando que era possível que alguns políticos de alto escalão tivessem sido informados, mas a mensagem não foi transmitida aos militares.
Em uma publicação nas redes sociais na noite de segunda-feira, Trump afirmou ter decidido cancelar os ataques ao Irã planejados para terça-feira (19), a pedido de aliados dos EUA no Golfo, que, segundo ele, o informaram que negociações 'sérias' estavam em andamento para um acordo de paz.
