Irã anuncia consultas 'intensas' com os EUA para evitar nova escalada

Irã anuncia consultas 'intensas' com os EUA para evitar nova escalada - Foto
Fonte da notícia: Folha de Pernambuco Folha de Pernambuco

O Irã assegurou, nesta segunda-feira (2), que as consultas com os Estados Unidos para evitar a retomada das hostilidades são "intensas" e se ofereceu para reabrir o estratégico Estreito de Ormuz sob determinadas condições, embora as posições continuem muito distantes. Para evitar uma repetição dos 40 dias de fortes bombardeios no início do ano, foram intensificados os contatos indiretos através do Catar, mediador em uma guerra que abala a economia mundial.

"Levando em conta a sensibilidade e a gravidade da situação atual, as consultas e deliberações são muito intensas", declarou o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, destacando "o papel de mediação muito ativo" do Catar e do Paquistão. Em uma aparente vontade de facilitar as conversas, o líder supremo, Mojtaba Khamenei, "conferiu certos poderes ao Governo" segundo o presidente Masoud Pezeshkian.

@@NOTICIAS_RELACIONADAS@@ Tais declarações, juntamente com informações publicadas pela imprensa, deram algum fôlego aos mercados, com o barril de Brent caindo 6%, para 106 dólares (574 reis), em comparação aos cerca de 70 dólares (379 reais) de antes do início da guerra.

"Agora tudo depende" de Washington, advertiu pouco antes o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, embora a República Islâmica mantenha suas rigorosas condições, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou em setembro. "Se as demandas do Irã forem atendidas, será possível restaurar a segurança no Estreito de Ormuz e retomar o processo de negociação em um prazo de tempo muito curto", acrescentou.

Desde o início da guerra, deflagrada pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro, Teerã mantém esta importante via marítima bloqueada e ataca com frequência navios que tentam atravessá-la sem a sua autorização. Em setembro, o Irã havia apresentado, por meio do Catar, um plano de sete dias para reabrir o Estreito de Ormuz, mas o presidente americano rejeitou a proposta, embora tenha deixado em aberto a possibilidade de continuar as negociações indiretas.

Movimentações diplomáticas Entre as exigências de Teerã estavam um cessar-fogo em todas as frentes da região, a liberação dos ativos iranianos no exterior, a suspensão das sanções contra o setor de petróleo do Irã e o fim do bloqueio americano aos seus portos.

No domingo, o chanceler iraniano completou as demandas do Irã em uma entrevista ao canal Al-Jazeera, afirmando que Washington deveria aceitar "o novo itinerário acordado entre Irã e Omã para o trânsito" de navios pelo Estreito de Ormuz. Embora a frente militar tenha se acalmado desde setembro, Estados Unidos e Israel intensificaram nos últimos dias suas ameaças, em um contexto marcado por importantes eleições em ambos os países.

No sábado, Donald Trump, que se prepara para enfrentar difíceis eleições legislativas de meio de mandato, declarou que ainda precisa cuidar de uma ou duas instalações nucleares no Irã. A República Islâmica nega que queira dotar-se de armas atômicas e defende seu direito de desenvolver energia nuclear para fins civis.

Segundo o veículo americano Axios, citando fontes dos Estados Unidos e de Israel, Trump, que manteve uma conversa telefônica com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, defensor de uma ofensiva, por ora quer deixar que as negociações sigam seu curso. "As sinalizações diplomáticas podem ser táticas em vista das eleições legislativas de meio de mandato", considera Arne Lohmann Rasmussen, analista da Global Risk Management.

"A guerra é impopular nos Estados Unidos, especialmente devido ao forte aumento dos preços dos combustíveis, e Trump tem interesse político em sugerir que é possível pôr fim ao conflito", acrescenta.

Publicação Original Folha de Pernambuco folhape.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →