O Irã conseguiu desativar os terminais de internet via satélite Starlink, de Elon Musk, durante os protestos antigovernamentais de janeiro, segundo um alto funcionário iraniano. Esta é a primeira vez que um funcionário iraniano se refere publicamente à suposta capacidade de neutralizar essa tecnologia no país, onde o acesso à internet está sujeito a restrições draconianas.
@@NOTICIAS_RELACIONADAS@@ Durante uma onda de protestos contra a crise econômica e o alto custo de vida, que atingiu seu auge em janeiro, o Irã cortou o acesso à internet por várias semanas, impedindo a disseminação de informações para o exterior.
As autoridades iranianas relataram mais de 3.000 mortes durante as manifestações e atribuíram a violência a "atos terroristas" orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel. ONGs estrangeiras afirmam que as forças de segurança iranianas abriram fogo contra os manifestantes.
"Foi a primeira vez que o Irã conseguiu desativar os terminais da Starlink", disse na televisão nacional Mohamad Amin Aghamiri, diretor do Centro Nacional do Ciberespaço, um órgão estatal que controla a internet. Ele não especificou qual tecnologia o Irã utilizou para conseguir isso.
A Starlink, operada pela SpaceX, oferecia uma alternativa aos iranianos, mas possuir um dos terminais implicava o risco de prisão. Essa tecnologia também tinha limitações, já que especialistas afirmavam que o Irã estava inferindo no sinal.
O Irã há muito tempo bloqueia sites estrangeiros, como YouTube ou Instagram, mas os usuários iranianos continuam acessando-os graças às redes virtuais privadas (VPNs). As restrições estão entre as mais severas do mundo e, ao mesmo tempo, muitos sites não são acessíveis devido às sanções internacionais.
Neste ano, o Irã impôs o apagão de internet mais longo já registrado após o início da guerra no Oriente Médio, desencadeada pelos ataques conjuntos dos Estados Unidos e do Irã no fim de fevereiro.
Folha de Pernambuco