Invicta em 2026, judoca Rafaela Silva disputa seletiva para ir ao Pan: "Não sou favorita"

 

Fonte:


A Confederação Brasileira de Judô (CBJ) realizará uma seletiva nacional para definir a delegação que representará o Brasil no Campeonato Pan-Americano Sênior de 2026, a partir desta quarta-feira, no SESI Vila Leopoldina, em São Paulo. A competição reunirá os principais atletas em atividade do país, dentre eles sete medalhistas olímpicos, com entrada gratuita e transmissão ao vivo pelo Sportv.

Apenas um atleta por categoria herdará a vaga na seletiva, somando, ao todo, quatorze convocações. Serão 54 judocas, de 15 clubes na disputa.

Rafaela Silva, que este ano vive excelente momento e se mantém invicta na categoria 63 kg, vai para a seletiva e não se considera favorita. Explica que além da concorrência interna ser alta, as atletas da seleção fazem trabalhos específicos de olho nas rivais internacionais.

— Não sou favorita — afirma Rafaela. — No Brasil não tem muito favoritismo. Os atletas da seleção quase não competem no Brasil, o foco está nas competições internacionais. É mais difícil lutar contra as brasileiras porque quem está na seleção tem o foco nas rivais lá de fora. E quem busca a seleção, tem o foco em uma atleta específica (ela, neste caso).

Suas adversárias serão Nauana Silva, segunda melhor brasileira ranqueada da categoria, Érika Ferreira, atual campeã brasileira, e Laryssa Fonseca, atual medalhista de bronze no Mundial Sub-18.

Rafaela, que subiu de categoria após os Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, explica que ainda está em adaptação à categoria.

Diz que, no seu caso, o estilo de luta nos 63 kg é bem diferente. É que nos 57 kg, Rafaela era uma das atletas mais altas. Agora, não. A maioria tem a sua altura ou mais. E segundo ela, na disputa de pegada, a atleta mais alta tem "leve vantagem".

Outra mudança em relação à categoria anterior é curiosa: nos 57 kg, a maioria das judocas era destra. E nos 63kg, canhota.

— A estratégia de luta é completamente diferente. E tem ainda o trabalho físico. Meu peso não mudou muito, mas ganhei massa muscular. Antes eu tinha de perder bastante peso para me manter nos 57kg. Sou uma atleta leve para o 63kg mas estou mais forte — explica ela que relembra o pós-Paris-2024: — O começo não foi fácil, ano pós-olímpico tem aquela ressaca mesmo. Assimilar que serão mais quatro anos pela frente. E fui para o máximo de competições possíveis para pontuar, mas ficava solta na chave e pegava as melhores judocas. Além disso e até hoje ainda não consegui treinar, pegar no quimono da maioria das meninas da categoria. Ainda estou em adaptação, mas muito mais focada. Tudo é um processo.

Oficialmente, Rafaela subiu para os 63 kg em novembro de 2024 e já foi campeã do Troféu Brasil. Em dezembro, estreou internacionalmente no Grand Slam de Tóquio e perdeu na primeira luta pra italiana Flavia Favorini.

A primeira medalha veio em abril, o bronze no Pan-americano (perdeu só para a brasileira Nauana Silva nas quartas-de-final). 

Este ano, Rafaela foi ouro no Grand Slam de Paris, em fevereiro, e no Grand Prix da Áustria, em março. No Grand Slam de Paris, que o Brasil não ganhava há dez anos, Rafaela venceu a holandesa Van Lieshout, campeã mundial em 2024, e na final, Laura Fazliu, do Kosovo, bronze em Paris-2024.

O continental deste ano acontecerá nos dias 18, 19 e 20 de abril, na Cidade do Panamá (Panamá).

Veja o histórico da judoca na categoria 63 kg.

Rafaela Silva nos 63 Kg

Competições internacionais:

Grand Slam de Tóquio (dez/2024): perdeu na primeira luta pra italiana Flavia Favorini

Grand Slam de Paris (fev/2025): foi eliminada na segunda luta pela holandesa Joanne Van Lieshout, campeã mundial em 2024

Grand Slam de Baku (fev/2025): perdeu a primeira luta pra canadense Jessica Klimkait

Grand Slam de Tashkent (fev/2025): perdeu na segunda luta para japonesa Momo Tatsukawa

Grand Prix da Áustria (mar/2025): perdeu na primeira luta para a japonesa So Morichika

Campeonato Pan-Americano (abr/2025): bronze

Grand Slam do Cazaquistão (mai/2025): bronze

Campeonato Mundial (jun/2025): 5º lugar

Grand Prix de Lima (out/2025): 5º lugar

Grand Prix de Guadalajara (out/2025): bronze

Grand Slam de Abu Dhabi (nov/2025): bronze

Grand Slam de Paris (fev/2026): ouro

Grand Prix da Áustria (mar/2026): ouro

Competições nacionais:

Troféu Brasil 2024: campeã

Seletiva Nacional p/ o Campeonato Pan-Americano: campeã

Troféu Brasil 2025: campeã

Grand Prix Nacional 2025 (competição por equipes): bronze com o Flamengo (não perdeu uma luta)