Por que JD Vance comparou óvnis a demônios? Entenda origem da crença
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, provocou repercussão ao afirmar que óvnis podem ser “demônios”, e não extraterrestres. A declaração, feita em entrevista recente a um podcast conservador, reflete uma visão baseada em crenças religiosas e ajuda a explicar por que o tema voltou ao centro do debate político no país.
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A fala ocorreu durante participação no “The Benny Show”, quando Vance disse acreditar que fenômenos aéreos não identificados — também chamados de UAPs — podem ter origem espiritual.
— Eu não acho que sejam alienígenas. Acho que são demônios — afirmou.
“Não consegui dedicar tempo suficiente para realmente entender isso, mas vou fazer, confiem em mim. Estou obcecado com isso”, disse Vance, entre risos. Ele acrescentou que ainda tem três anos no cargo e que “vai chegar ao fundo dos arquivos sobre Óvnis”.
Segundo o vice-presidente, sua interpretação parte do cristianismo, religião à qual se converteu na vida adulta. Ele argumenta que diferentes tradições religiosas já descrevem a existência de entidades invisíveis, capazes de influenciar o mundo físico, tanto para o bem quanto para o mal.
Origem da crença
A associação entre óvnis e demônios não é inédita e tem raízes em correntes religiosas e culturais nos Estados Unidos. Essa visão compartilhada por Vance se apoia na ideia de que fenômenos inexplicáveis não seriam tecnológicos ou extraterrestres, mas manifestações sobrenaturais reinterpretadas ao longo do tempo.
O vice-presidente reforçou esse argumento ao afirmar que, diante de eventos “extra-naturais”, sua tendência é recorrer à explicação religiosa.
— Há muito bem no mundo, mas também há o mal — disse, ao citar a crença de que o “maior truque do diabo” seria convencer as pessoas de que ele não existe.
Essa leitura dialoga com uma tradição antiga, em que fenômenos celestes eram associados a anjos, demônios ou sinais divinos — interpretação que, para alguns grupos, foi apenas atualizada com a popularização da ideia de alienígenas no século XX.
Tema ganha força na política
As declarações de Vance surgem em um momento de renovado interesse político sobre óvnis nos Estados Unidos. O presidente Donald Trump prometeu liberar arquivos governamentais sobre o tema, enquanto o ex-presidente Barack Obama voltou a comentar publicamente a possibilidade de vida extraterrestre, embora sem confirmar evidências.
Além disso, o próprio Vance afirmou estar “obcecado” pelo assunto e disse que pretende investigar documentos sigilosos durante seu mandato.
O debate ganhou tração também após ações do governo americano relacionadas ao tema, como iniciativas envolvendo domínios oficiais ligados a “alienígenas”, o que alimentou especulações sobre o nível de conhecimento das autoridades sobre fenômenos aéreos não identificados.
Entre fé e ciência
Apesar da repercussão, não há evidência científica que sustente a origem demoníaca — ou extraterrestre — dos óvnis. A comunidade científica trata os UAPs como fenômenos ainda não explicados, que podem envolver desde tecnologia desconhecida até erros de interpretação.
Ainda assim, a declaração de Vance evidencia como crenças pessoais podem influenciar o discurso político em torno de temas de segurança nacional e ciência — e ajuda a explicar por que, nos Estados Unidos, o debate sobre óvnis transita cada vez mais entre religião, cultura e poder.
