Intérprete de Luma de Oliveira na Viradouro fala sobre preparação intensa para desfilar como a ex-rainha de bateria: 'Não vou imitá-la'

 

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À frente de uma das alas mais simbólicas do desfile da Viradouro em 2026, a atriz Jeniffer Setti assume a responsabilidade de representar Luma de Oliveira, icônica rainha de bateria da escola. Em entrevista ao EXTRA, ela detalha a preparação física e emocional para o retorno à Sapucaí e fala sobre o peso simbólico de reviver uma das figuras mais marcantes da história do Carnaval.

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— Minha preparação foi tanto física quanto dramatúrgica — resume Jeniffer, completando: -- Estudei profundamente a Luma: suas características, sua presença, sua força simbólica, as expressões, o olhar, os movimentos, a cadência e, principalmente, o sorriso. Mas não vou imitá-la. Vou fazer a minha Luma, com a minha verdade, sempre com profundo respeito à mulher e ao ícone que ela é. Interpretar Luma de Oliveira é também revisitar a história do Carnaval.

Para dar conta da exigência do desfile, ela adotou uma rotina intensa, mas consciente.

— Adotei o jejum intermitente, sempre respeitando os limites do meu corpo, mantendo uma alimentação equilibrada na maior parte do tempo, sem neuras: em alguns momentos, me permito, sim, um sanduíche ou outra escolha fora da rotina. Pratico musculação, intensifiquei o cardio e venho sambando com frequência para garantir fôlego, resistência e entrega. Tudo com acompanhamento médico e nutricional, sempre respeitando os limites do meu corpo — explica.

Luma de Oliveira reinou à frente dos ritmistas da Viradouro entre 1999 e 2003

Sérgio Borges / Agência O Globo / 12-02-2002

A relação com o samba vem da infância.

— Desde os quatro anos frequento a quadra da Mocidade Independente de Padre Miguel. Cresci ali — conta ela, que, na Viradouro, é madrinha da escola mirim e recebeu o convite diretamente da presidência: — Depois de mais de dez anos longe do Carnaval, retorno à Sapucaí me sentindo muito feliz, honrada e consciente da responsabilidade.

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O desfile de 2026 marca também a homenagem a Mestre Ciça, um dos maiores mestres de bateria do país.

— O enredo é potente. Interpretar uma figura real, ainda mais em um contexto como esse, é desafiador e extremamente enriquecedor — diz ela, que faz mistério sobre o que o público pode esperar do figurino: — Não posso revelar nada, nenhum spoiler. Mas posso adiantar uma coisa: vocês vão amar!.

Desfile

A Viradouro levará para a Avenida uma ala com 60 mulheres representando Luma de Oliveira. A proposta do carnavalesco Tarcísio Zanon é transformar a ex-rainha em um símbolo coletivo, reunindo mulheres da própria comunidade, com diferentes corpos, idades e histórias ligadas à escola.

O figurino fará referências às fantasias clássicas usadas por Luma e ao desfile de 2001, quando ela se ajoelhou em sincronia com a bateria, um dos momentos mais emblemáticos da Sapucaí. A coreógrafa Suelen Gonçalves adianta que o gesto será recriado, embora adaptado à dinâmica de uma ala numerosa. Já a famosa coleira usada por Luma em 1998 não fará parte do look.

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Convidada a retornar à Avenida, a própria Luma recusou para não dividir os holofotes com o homenageado. Ela afirmou que prefere reverenciar Mestre Ciça assistindo ao desfile na Marquês de Sapucaí.

O desfile ainda marca o retorno de Juliana Paes ao posto de rainha de bateria, enquanto Erika Januza, que ocupou o cargo nos últimos anos, será destaque em um carro alegórico que celebra os títulos conquistados por Mestre Ciça.