Inteligência dos EUA avalia que Irã mantém metade de sua capacidade de lançamento de mísseis, diz CNN
Aproximadamente metade dos lançadores de mísseis do Irã ainda estão intactos e milhares de drones permanecem no arsenal do regime, apesar dos bombardeios diários dos Estados Unidos e de Israel desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra, de acordo com avaliações da Inteligência americana. A informação foi revelada pela rede americana CNN, que ouviu três fontes.
— Eles ainda estão muito bem preparados para causar estragos absolutos em toda a região — disse uma das fontes, referindo-se à capacidade aérea do Irã.
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Além dos lançadores, o Irã mantém um grande número de mísseis, segundo as informações de inteligência. Ainda de acordo com a CNN, uma grande porcentagem dos mísseis de cruzeiro permanece intacta — o que condiz com a estratégia dos EUA de não concentrar sua campanha aérea em alvos militares costeiros, embora tenham atingido navios. Esses mísseis representam uma capacidade fundamental que permite ao Irã ameaçar o tráfego marítimo, principalmente no Estreito de Ormuz, rota vital para o escoamento de cerca de 20% do petróleo mundial e que está praticamente bloqueada desde o início da guerra.
Os dados, porém, contrastam com as avaliações de vitória militar divulgadas publicamente pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e por membros de seu governo. Em seu primeiro pronunciamento à nação sobre o conflito, na última quarta-feira, Trump afirmou que a “capacidade do Irã de lançar mísseis e drones está drasticamente reduzida” e que suas fábricas e lançadores estariam sendo destruídos, restando “muito poucos”. Até então, os EUA haviam atingido mais de 12.300 alvos dentro do Irã, segundo o Comando Central.
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Em declarações públicas, o Pentágono também tem apontado para uma redução no volume de ataques iranianos. Em 19 de março, por exemplo, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que “os ataques com mísseis balísticos contra nossas forças diminuíram 90% desde o início do conflito”, assim como os drones.
Procurada pela CNN, a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, rebateu a avaliação e criticou o uso de fontes anônimas. Segundo ela, “fontes anônimas desejam desesperadamente atacar o presidente Trump e menosprezar o trabalho incrível das Forças Armadas dos Estados Unidos”.
"Eis os fatos: os ataques iranianos com mísseis balísticos e drones diminuíram 90%, sua Marinha foi dizimada, dois terços de suas instalações de produção foram danificadas ou destruídas, e os Estados Unidos e Israel têm uma supremacia aérea esmagadora sobre o Irã" afirmou, em comunicado. "O regime está sendo dizimado militarmente, e sua única esperança é fazer um acordo e abandonar suas ambições nucleares", acrescentou.
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O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, também contestou a avaliação, classificando-a como “completamente errada”. "As Forças Armadas dos Estados Unidos desferiram uma série de golpes devastadores contra o regime iraniano. Estamos à frente do cronograma para atingir nossos objetivos militares", disse Parnell.
Autoridades militares israelenses, por sua vez, estimam um número menor de lançadores ainda operacionais, entre 20% e 25%.
Apesar das declarações de enfraquecimento, Israel e alvos americanos em países do Golfo continuam a enfrentar ataques regulares de mísseis e drones iranianos desde o início da guerra. Muitos desses ataques causam danos a instalações, interrompem operações e deixam feridos ou mortos.
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A capacidade de operar no subsolo é um dos principais fatores que explicam a resistência do arsenal iraniano. Segundo duas fontes ouvidas pela CNN, o Irã esconde seus lançadores em extensas redes de túneis e cavernas, o que dificulta sua destruição. Além disso, o país tem conseguido mover plataformas móveis com frequência, dificultando o rastreamento — um desafio semelhante ao enfrentado pelos EUA contra os houthis no Iêmen.
Segundo Annika Ganzeveld, gerente do Projeto de Ameaças Críticas do Instituto Americano de Empreendedorismo, EUA e Israel têm intensificado ataques às entradas desses túneis e aos equipamentos usados para reabri-los.
— Certamente, ainda existem capacidades que permanecem intactas — disse. — O Irã demonstrou nos últimos dias que ainda consegue atacar navios no Estreito. Portanto, ainda há alvos que precisam ser eliminados se quisermos destruir completamente essas capacidades.
