Instagram, TikTok, WhatsApp: o que muda nas redes sociais a partir desta terça

 

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O novo conjunto de regras de proteção para menores de idade na internet, apelidada de Estatuto da Criança do Adolescente (ECA) Digital, passa a valer nesta terça-feira. Todos as plataformas voltadas a crianças ou adolescentes precisarão se adequar às novas normas. Mesmo aquelas que não se identificam assim, mas nas quais haja “provável acesso” desse público, também terão que adotar o regramento. Isso inclui redes sociais, jogos e aplicativos de comunicação, como o Discord e WhatsApp. Abaixo, veja algumas mudanças ja anunciadas pelas empresa.

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Veja mudanças já anunciadas

Instagram - A rede da Meta informou que está ampliando as medidas para que os pais possam ativar a supervisão parental e que já possui conta para adolescentes com restrições.

TikTok - A partir de hoje, adolescentes não poderão alterar as configurações mais restritivas aplicadas às suas contas por padrão sem permissão dos pais.

WhatsApp - O WhatsApp começou a permitir que pais ou responsáveis monitorem mensagens e coloquem limites sobre a atividade de menores de 13 anos no aplicativo.

YouTube - O YouTube adotou em janeiro uma IA para identificar se um usuário da plataforma tem menos de 18 anos. Isso é feito com base nos vídeos pesquisados, por exemplo.

Discord - Todos os usuários terão, a partir de hoje, restrições para adolescentes e terão que verificar a idade para acessar todos os recursos com selfie ou documento.

Roblox - Até o final do ano, todos os usuários terão que passar por verificação de idade com leitura facial por selfie, documento de identidade e consentimento dos pais.

— O ponto que eu mais gosto do ECA Digital é a obrigatoriedade de que os aplicativos vão precisar ter controle parental de fácil acesso. Os pais vão poder definir o tempo de tela de seus filhos, bloquear conversas com terceiros e impedir transações financeiras — pontua Nuria López, advogada especialista no tema.

Nesse novo cenário, as plataformas digitais terão que estar sempre ativadas no modo mais protetivo por padrão para contas de crianças e adolescentes. Isso significa, por exemplo, restrição à comunicação com os menores por usuários não autorizados. Outra obrigação criada pela lei é de que essas contas sejam vinculadas a responsáveis legais. Além disso, as plataformas não poderão criar perfis comerciais desses usuários.

A aplicação que começa hoje ocorrerá de forma escalonada, com mudanças gradativas. A obrigatoriedade de disponibilizar mecanismos de verificação de idade que vão além da autodeclaração, por exemplo, ainda não será plenamente cobrada desde já.

Essa implementação ainda depende de algumas definições sobre quais recursos serão utilizados para essa tarefa. Isso porque ela trata de dados sensíveis, como a biometria dos usuários ou um registro do documento.

— O prazo para implantação (seis meses) foi exíguo. Essas mudanças exigem alterações na infraestrutura dos sistemas, redesenho dos aplicativos — avalia López, sócia e head de Tecnologia e Proteção de Dados da Daniel Advogados.

Atualizações anunciadas

Ainda assim, os maiores aplicativos e redes sociais já estão anunciando mudanças para se adaptarem às novas regras brasileiras. O TikTok, por exemplo, divulgou que a partir de hoje os adolescentes não poderão alterar as configurações mais restritivas aplicadas às suas contas por padrão, a menos que obtenham permissão por meio da Sincronização Familiar ou de autorização via e-mail ou SMS.

“O TikTok é para maiores de 13 anos e, se descobrirmos que alguém abaixo da idade mínima está na plataforma, baniremos essa conta”, acrescentou a rede social. A empresa diz usar diferentes métodos para identificar a idade do usuário: autodeclaração, modelos de estimativa de idade, moderação humana e mecanismos de denúncia para aferir a idade dos usuários.

Na avaliação de Pedro Néto, especialista em Direito Digital e Head de Compliance e Proteção de Dados para o Terceiro Setor do SBSA Advogados, as restrições do TikTok são robustas — como proibição de transmissões ao vivo para menores de 18 anos e, no caso dos que têm até 16, bloqueio de mensagens diretas e não recomendação de conteúdo no feed “For You” para desconhecidos. No entanto, opina Néto, é justamente a verificação de idade que precisa melhorar:

— O sistema ainda depende primariamente da autodeclaração inicial. As plataformas terão de avançar substancialmente nesse aspecto.

Já o Discord começou a introduzir mecanismos de aferição etária para usuários no país na segunda-feira da semana passada. Por enquanto, é possível fazer uma selfie de vídeo para que a plataforma estime a idade real ou enviar um documento.

Quem não passar por esse processo ficará sujeito a uma configuração de segurança mais restrita. Assim, não poderá, por exemplo, revelar mídias com conteúdo sensível; acessar canais com restrição etária; e terá barreiras para se comunicar com outros usuários por mensagens privadas.