Quem são as netas do último xá do Irã: moda, seguidores nas redes e ativismo político

 

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Quando a monarquia iraniana caiu em 1979, a família real Pahlavi deixou o país sem saber que nunca mais voltaria. O xá Mohammad Reza Pahlavi e sua esposa, a imperatriz Farah Diba, iniciaram um longo exílio que os levou por diferentes países antes de se estabelecerem definitivamente no Ocidente.

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Quase meio século depois, o sobrenome Pahlavi continua despertando interesse dentro e fora do Irã. E grande parte dessa atenção hoje se concentra em uma nova geração: Noor, Iman e Farah, as três netas do último xá, filhas do pretendente ao trono iraniano, que tem o mesmo nome do pai, Reza.

Quando a revolução expulsou sua família do Irã, Reza vivia no Texas. Tinha 18 anos e estava se formando como piloto militar. Assim como sua mãe, Farah, que nunca voltou ao país, ele vive desde então nos Estados Unidos, onde formou sua própria família: casou-se com Yasmine Etemad-Amini, também de uma família iraniana exilada no país, com quem teve três filhas. Apesar de nunca ter retornado ao Irã, ele continua sendo uma das principais vozes ligadas à antiga monarquia iraniana, que muitos consideram os legítimos herdeiros do trono. Isso faz com que Noor, Iman e Farah sejam vistas como uma espécie de princesas.

A “princesa” influencer

A mais velha das três irmãs é Noor Pahlavi, que graças às redes sociais se tornou um dos rostos mais visíveis da família. Ela nasceu em Washington em 3 de abril de 1992 e, segundo a ordem dinástica da família, é considerada herdeira dos direitos de seu pai ao trono que um dia foi ocupado por seu avô

Noor Pahlavi: a revista francesa "Point de Vue" a apresentava, há alguns anos, como uma das “10 pessoas solteiras mais cobiçados”

Reprodução

Estudou Psicologia e fez um MBA na Universidade de Georgetown. Atualmente trabalha no setor financeiro, especificamente na empresa American Express, embora sua imagem pública tenha se expandido muito além desse campo.

Quase como uma influencer, soma dois milhões de seguidores no Instagram. Ali compartilha imagens de sua vida cotidiana e inúmeras mensagens de ativismo político. Em especial, costuma se pronunciar sobre a situação dos direitos humanos no Irã e sobre os protestos que vêm sacudindo o país desde o ano passado.

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Sua publicação mais recente, por exemplo, foi em fevereiro, e evidencia esse uso político das redes. Ela compartilha uma conversa que teve com Mandana Dayani, empresária, advogada e ativista iraniano-americana. O diálogo girou em torno do regime islâmico e de seus impactos para os cidadãos iranianos, a segurança, o futuro e a vida no país. Como capa do vídeo, utilizou a frase: “Se você se preocupa com os direitos das mulheres, deveria se preocupar com o Irã”.

Durante a conversa, Dayani perguntou qual seria o impacto global de um Irã democrático com seu pai, Reza Pahlavi, à frente de um governo de transição.

— Isso não se trata apenas de libertar os iranianos, mas de remover um ponto de pressão que distorceu a política mundial por quase meio século. Trata-se de saber se o mundo está disposto a enfrentar uma ideologia que foi exportada por meio da violência, coerção e medo ou se vamos permitir que ela se fortaleça ainda mais.

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Liberdade de crença, igualdade, um Irã livre e democrático, menos guerras e mercados globais mais fortes foram alguns dos pontos destacados pela influencer ao falar sobre a queda do regime islâmico e a possível chegada da democracia com seu pai.

Embora suas aparições públicas hoje girem principalmente em torno da política, a “herdeira” também ampliou sua presença no mundo da moda, aparecendo em capas de revistas internacionais e colaborando com marcas — algo que levou muitos observadores a compará-la com sua avó, Farah Diba. Isso também a ajudou a conquistar as redes com seu estilo.

Uma fusão de culturas

Iman é a segunda filha do casamento entre Reza e Yasmine. Nasceu pouco depois de Noor, em setembro de 1993, também nos Estados Unidos. Além da pequena diferença de idade, as duas compartilham muitas coisas, inclusive a formação: Iman também estudou Psicologia e vive em Nova York.

Assim como Noor, é ativa nas redes sociais e reúne quase 200 mil seguidores no Instagram. Em sua última foto, publicou um texto que, seguindo os passos da irmã, demonstra seu engajamento político com o Irã. A mensagem diz: “O que está acontecendo com o Irã é um democídio”, e explica: “Democídio se refere ao assassinato intencional de pessoas desarmadas ou previamente desarmadas por seu próprio governo ou por uma agência governamental, atuando em sua autoridade conforme uma política estatal ou ordem superior”.

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Talvez o aspecto mais marcante da irmã do meio tenha sido seu casamento, em 2025, com o empresário de tecnologia Bradley Sherman. A revista Vogue Arabia cobriu o evento e escreveu na ocasião:

— A celebração do fim de semana simbolizou não apenas a união de duas pessoas, mas também uma comovente fusão de culturas, gerações e influências globais.

A relação entre Bradley e Iman representa um vínculo inter-religioso, já que o noivo tem origem judaica. Em meio às tensões entre Israel e Irã, o casamento acabou sendo visto como um símbolo de amor e união.

Paraquedismo, esqui e shows

A mais nova das irmãs leva o nome da avó paterna, Farah. Assim como as outras, ela conquista seguidores nas redes com seu estilo — algo que muitos interpretam como herança da própria Farah Diba. Nascida em 2004, é uma influencer com forte presença digital, onde, além de compartilhar sua rotina, também se manifesta sobre o Irã.

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Ela costuma repostar mensagens de Noor e Iman para seus quase 500 mil seguidores, ao mesmo tempo em que mostra sua vida glamorosa nos Estados Unidos, na universidade ou viajando pelo mundo.

Mesmo assim, não deixa de participar das mobilizações contra o regime islâmico iraniano e manifesta apoio ao pai, Reza, como herdeiro do trono. Em fevereiro, por exemplo, publicou um vídeo mostrando pessoas carregando retratos dele durante grandes manifestações. Na legenda, agradeceu à imprensa “por amplificar as vozes do povo iraniano”.

Também compartilhou uma foto de Assal Shafei, de 21 anos, que, segundo ela, foi “assassinada pelo regime”. Junto à imagem, republicou a última mensagem de Shafei, publicada em janeiro: “Como feminista radical, devo dizer: longa vida ao xá”.

Por outro lado, e em contraste, Farah leva uma vida privilegiada — algo que não esconde. Além de aparecer em viagens pela Europa visitando museus, ela publica registros praticando paraquedismo, esqui ou assistindo ao torneio de tênis Roland Garros. Passeios de barco, shows — como o de Taylor Swift em 2024 —, estadias no Four Seasons Resort, no Egito, e diferentes eventos e destinos completam um cotidiano marcado por luxo constante, exibido para milhões de seguidores.