Inscrições antigas escritas no idioma de Jesus revelam capítulo esquecido do cristianismo
Inscrições feitas pouco tempo após a crucificação de Jesus Cristo, descobertas no sudeste da Turquia, revelam novos capítulos da ascensão do cristianismo na Europa, segundo pesquisadores da Universidade Mardin Artuklu.
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Os textos foram encontrados em um templo subterrâneo dedicado a Mitra, divindade adorada pelo Mitraísmo — uma religião exclusivamente masculina, popular entre soldados e mercadores romanos.
Localizado no Castelo de Zerzevan, o santuário foi achado com quatro suportes para sacrifícios, uma bacia (provavelmente usada para coletar sangue de touros sacrificados) e três nichos nas paredes, utilizados em cerimônias secretas do culto.
Acredita-se que as inscrições tenham sido feitas cerca de 300 anos após a morte de Cristo, época em que o cristianismo começava a se tornar a religião principal do Império Romano.
O mitraísmo era visto pelas autoridades romanas como uma "fé rival", o que levou muitos de seus templos a serem abandonados, fechados ou transformados em igrejas.
As inscrições foram decifradas por Mehmet Sait Toprak, chefe do Departamento de Língua e Literatura Siríaca, e sua equipe.
Eles decodificaram a escrita aramaica — o idioma falado por Jesus — analisando o formato das letras, o vocabulário e o período histórico em que foram supostamente escritas.
O texto menciona a Santa Cruz e descreve Deus como aquele que traz ordem, renovação e amor, ao mesmo tempo que se refere a Mitras como o "Deus Invencível do Sol".
Para os cientistas, a descoberta reforça a tese de que o santuário foi transformado pelos primeiros cristãos em uma igreja.
O templo, que tinha cerca de 1.900 anos quando foi encontrado em 2017, foi construído escavando-se a rocha-mãe no subsolo da parede leste da estrutura, com colunas talhadas na própria rocha e um grande nicho central.
