Influenciadores e parlamentares relatam terem sido procurados para defender o Banco Master e atacar o BC

 

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Em meio à disputa entre o Banco Central e o TCU sobre a realização de uma auditoria na autarquia, influenciadores digitais e parlamentares afirmam terem sido procurados por uma empresa para produzir conteúdos em defesa do Banco Master e críticos ao BC. O caso foi revelado pela colunista do jornal O Globo, Malu Gaspar. Um levantamento feito pela Febraban aponta um aumento atípico de menções ao Banco Central e ao Master, no fim do ano passado, com pico no dia 27 de dezembro, somando 4.560 posts, o que pode indicar um ataque coordenado.

O vereador de Erechim, no Rio Grande do Sul, Rony Gabriel, do PL, relatou que a abordagem ocorreu em dezembro, por meio de uma empresa que se apresentou como especializada em gestão de reputação, oferecendo pagamento para associar a liquidação do banco a supostas falhas do Banco Central. Segundo ele, o trabalho exigiria contrato de confidencialidade com multa de 800 mil reais em caso de descumprimento.

"Você vai crer que essa decisão do TCU não foi nada técnica, ela já estava planejada há algum tempo. Eles já contrataram empresas e influenciadores para falar sobre isso e botar no teu inconsciente ou no inconsciente coletivo de que isso aqui é o correto a se fazer. Parando as investigações, beneficiando de alguma forma Daniel Vorcaro e todas as pessoas que ele pode vir a entregar, falar, ou a gente não sabe, simplesmente não sabe".

Nesta terça, o Banco Central apresentou um recurso ao Tribunal de Contas da União contra a decisão que determinou a realização de uma inspeção na autarquia para avaliar os fundamentos da liquidação do Banco Master. No recurso, o Banco Central argumenta que autorizações para inspeções devem ser tomadas de forma colegiada pelo TCU, e não por decisão individual, sustentando que a análise do pedido cabe à Primeira Câmara da Corte.

Também nesta terça, a Polícia Federal agendou uma nova rodada de depoimentos no inquérito que investiga o caso do Banco Master para o fim de janeiro e o início de fevereiro. Segundo investigadores, o depoimento do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, está marcado para o dia 3 de fevereiro. Também devem ser intimados ex-sócios do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, além de ex-diretores e dirigentes do BRB. A investigação apura suspeitas de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa na negociação de carteiras de crédito consideradas inconsistentes entre o Banco Master e o BRB. As operações sob suspeita envolvem cerca de 12 bilhões de reais.