Inflação desacelera, mas El Niño e câmbio colocam o alívio nos preços em xeque

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

O IPC-S desacelerou na última leitura de outubro, puxado pela energia, mas economistas da Suno e do Sistema Ailos alertam que câmbio, risco fiscal e clima limitam o espaço para cortar a Selic Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal, o IPC-S, desacelerou de 0,46% para 0,32% na quarta quadrissemana de outubro, segundo a FGV Ibre. Em 12 meses, o índice acumula alta de 4,14%.

Seis das oito classes de despesa recuaram, e a maior contribuição veio de Habitação, que passou de 0,16% para -0,16% com a queda de 2,41% na tarifa de energia residencial. Para economistas ouvidos pelo ND Mais o alívio existe, mas é frágil.

“O IPC-S mostra um alívio positivo, principalmente porque a desaceleração não ficou concentrada em um único grupo”, afirma o economista do Sistema Ailos, Sérgio Samuel dos Santos. Ele pondera que a conta de luz é um preço administrado, sujeito a mudanças tarifárias e regulatórias.

Também lembra que o IPCA, indicador oficial do IBGE, acumula 4,58% em 12 meses, acima do teto de 4,5% da meta. O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, também acompanha o IPCA e o IPCA-15.

Os dois índices mostram aceleração e piora qualitativa, com serviços e núcleos pressionados. A projeção dele é de inflação acima de 5% em 2026.

O pano de fundo pós-eleição pesa. Sem clareza sobre o plano fiscal e sobre quem comandará a Fazenda, Sung projeta o dólar a R$ 5,40 no fim do ano.

A moeda também é pressionada pelo fortalecimento global do dólar. “Acreditamos que virá um ajuste fiscal, sim, mas moderado”, diz.

Santos explica o canal de transmissão. “A alta do dólar encarece insumos e pressiona a inflação pelo aumento de custos.

Esse efeito não é imediato, mas tende a aparecer ao longo dos meses seguintes.” Segundo o Boletim Focus citado por Santos, a expectativa de inflação para 2027 saltou de 4,36% para 4,76% em uma semana, o que reduz a margem para cortes de juros.

O Sistema Ailos projeta a retomada do ciclo em dezembro, com a Selic em 13,50% no fim de 2026 e em 12,50% ao longo de 2027, desde que a percepção de risco fiscal não piore. Sung é mais conservador e espera a taxa em 13,75% até o fim do ano, com cortes apenas em 2027.

Na lista de riscos, ele cita o petróleo, que chegou a US$ 116 no mês, o fim das subvenções aos combustíveis e o fim da desoneração da folha. Na mesa do consumidor, Alimentação segue como o grupo mais pressionado, com alta de 0,85%.

O tomate subiu 16,82% e a cebola, 11,34%. Santa Catarina é líder nacional na produção de cebola.

Para Santos, a alta dos dois itens está ligada à sazonalidade, ao clima e aos ciclos de oferta. Ele observa, porém, que câmbio, frete, combustíveis e defensivos agrícolas afetam toda a cadeia, assim como os conflitos entre Rússia e Ucrânia e entre Estados Unidos e Irã.

Sung acrescenta o fator climático. “O El Niño já tem impactado alguns preços, como a gente já consegue observar nos índices aí de inflação, e a gente acredita que os in natura sejam os mais pressionados no final do ano.”

Um contrapeso estrutural chega em 2027, quando começa a cobrança da CBS prevista na reforma tributária. Pela Lei Complementar 214/2025, os itens da Cesta Básica Nacional terão alíquota zero dos novos tributos.

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