Indefinição em Minas preocupa PT, e aliados cobram atuação de Lula para destravar palanque

Indefinição em Minas preocupa PT, e aliados cobram atuação de Lula para destravar palanque

 

Fonte: Bandeira



A indefinição de uma candidatura ao governo de Minas Gerais que apoie a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem preocupado integrantes do PT, que cobram atuação incisiva do presidente para destravar o palanque no estado, o segundo maior colégio eleitoral do país. Historicamente, o candidato que vence no estado costuma ser eleito à Presidência da República.

O plano A de Lula era que o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) disputasse o governo do estado, mas o parlamentar tem afirmado que deverá deixar a vida pública a partir do próximo ano. Agora, aliados do petista cobram um desfecho para Minas para os próximos dias e apostam na condução de Lula nesse processo. O impasse no estado tem sido discutido em reuniões do partido nas últimas semanas, e o processo tem sido capitaneado pelo presidente da sigla, Edinho Silva.

Integrantes da cúpula do partido reconhecem que hoje o cenário está incerto e que é preciso resolver esse palanque. Está à mesa a possibilidade de apoiar um nome do PT ou de um partido aliado. Nesse segundo caso, são lembrados os nomes do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e do ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José Alencar e que recentemente se filiou ao PSB.

Uma ala ainda trabalha para o PT ter candidatura própria em Minas Gerais e vê o nome da ex-prefeita de Contagem (MG) Marília Campos como favorito ao posto. Marília é pré-candidata ao Senado e não se coloca como opção ao Palácio da Liberdade. Na avaliação desse grupo, se o nome de Josué não arrancar com bom percentual de votos, não há por que o PT abrir mão de lançar um nome próprio em um estado estratégico como Minas.

Essa estratégia, no entanto, não encontra consenso na cúpula petista. O presidente do PT, Edinho Silva, ainda terá conversas com Alexandre Kalil e já falou com Josué Gomes nesta semana. Ele também está em contato com o diretório estadual do PT em Minas.

De acordo com relatos de pessoas que acompanham as conversas, Josué tem afirmado que está à disposição para contribuir na reeleição de Lula, mas não dá certeza sobre a candidatura. O impasse e demora por uma definição também tem gerado apreensão entre deputados petistas, que temem que essa demora possa prejudicar suas próprias candidaturas à Câmara. Nos bastidores, a avaliação é que caberá ao presidente bater o martelo em qual caminho será tomado no estado, mas ainda não há sinais de qual arranjo o petista escolherá.

O deputado Rogério Correia (PT-MG) diz que Edinho deverá conversar com todos os atores políticos do estado para buscar a melhor formação da chapa, mas ressalta que é importante que Lula tome a dianteira nesse processo.

— O quadro não está definido. Por isso, é importante que o presidente Lula pessoalmente cuide disso— diz o deputado.

Busca por 'palanque sólido'

Nesta semana, a cúpula do PT e integrantes da pré-campanha de Lula se reuniram para discutir a conjuntura eleitoral. Segundo dois participantes do encontro, foram destrinchados os cenários de cada estado. A avaliação é que Minas ainda é um “gargalo” mas que, no saldo geral, a situação hoje é mais favorável a Lula do que era na campanha de 2022. Isso porque há apoios mais consolidados do que no último pleito nos diferentes estados da federação.

Coordenador do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT, o deputado Jilmar Tatto (SP) minimiza os impasses no estado e diz que essa não é uma realidade apenas da campanha petista. Ele diz que a candidatura adversária de Flávio Bolsonaro também ainda não está consolidada ali e enfrenta dificuldades.

— Minas Gerais está desarrumado não só do lado de cá, mas também do lado de lá. Minas é um caso à parte no Brasil. Estamos conversando para buscar um palanque sólido para o presidente Lula que pode ser do PT ou fora do PT— afirmou o parlamentar.

Como o GLOBO mostrou, dirigentes do PL ofereceram ao Republicanos a possibilidade de indicar o vice em uma eventual candidatura própria da legenda desenhada em torno do empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). O Republicanos hoje tem como pré-candidato o senador Cleitinho Azevedo.