Incêndios na Indonésia já queimaram 1,9 milhão de hectares em 2026, aponta monitoramento por satélite

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Os incêndios na Indonésia consumiram 1.916.588 hectares entre janeiro e o fim de setembro de 2026, segundo estimativa divulgada nesta segunda-feira (19) pelo Nusantara Atlas, plataforma que monitora a cobertura florestal e as queimadas por meio de imagens de satélite. A área atingida equivale a quase 19,2 mil quilômetros quadrados, aproximadamente 12 vezes o tamanho de Londres. Veja também: Cingapura aponta empresas da Indonésia como responsáveis por incêndios com névoa tóxica em parte do Sudeste Asiático Leia mais: Derretimento de geleira Thwaites, conhecida como a do ‘juízo final’, pode elevar nível do mar ao dobro do previsto até 2100, aponta estudo O levantamento, no entanto, pode subestimar a extensão real dos incêndios. A fumaça intensa prejudicou a análise das imagens de satélite, dificultando a identificação das áreas queimadas. Além disso, a metodologia do Nusantara Atlas exclui focos individuais com menos de 6,25 hectares e prioriza evitar falsos registros, segundo David Gaveau, fundador da plataforma. — A área total queimada registrada, portanto, subestima a verdadeira extensão da destruição — afirmou Gaveau, segundo a agência de notícias AFP. O governo indonésio não divulgou novos números oficiais sobre a área devastada desde que informou, no fim de julho, que 202 mil hectares haviam sido queimados. Os dados independentes indicam que a extensão atingida até o fim de setembro foi 38% superior à registrada no mesmo período de 2019, outro ano marcado por incêndios florestais severos. Gaveau afirmou que a temporada deste ano pode alcançar uma dimensão semelhante à de 2015, quando os incêndios provocaram uma das piores crises ambientais da história recente do país. A comparação, porém, é limitada pela ausência de dados equivalentes de satélite para aquele ano. El Niño e queimadas agrícolas A temporada de incêndios foi agravada pelo fenômeno climático El Niño, que favorece condições mais quentes e secas e pode prolongar a estiagem. Essas condições facilitam a propagação das chamas, especialmente em áreas de turfa, ecossistemas que armazenam grandes quantidades de matéria orgânica e se tornam altamente inflamáveis quando perdem umidade. As queimadas também estão associadas à abertura de terrenos para atividades agrícolas, incluindo a produção de óleo de palma. A prática de utilizar o fogo para limpar áreas pode provocar incêndios de grandes proporções quando as chamas escapam do controle. Os focos se concentram principalmente nas ilhas de Bornéu e Sumatra, onde a combinação de vegetação seca, áreas de turfa e queimadas dificulta o combate.

Fumaça afeta a saúde e atravessa fronteiras A fumaça das queimadas tem provocado uma deterioração da qualidade do ar na Indonésia e em países vizinhos, como Malásia e Singapura. A poluição atmosférica está associada ao aumento de problemas respiratórios e à interrupção de atividades cotidianas, incluindo aulas e operações de transporte aéreo. As autoridades mobilizaram dezenas de milhares de profissionais e recursos aéreos para combater as chamas. O trabalho, porém, é dificultado pela baixa visibilidade provocada pela fumaça e pela extensão dos focos de incêndio. Os efeitos também atingem a fauna e as comunidades que dependem das florestas. Em outubro, um incêndio na província de Bangka Belitung, em Sumatra, destruiu quase 300 casas e obrigou cerca de mil moradores a deixar a região.

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