Incêndios florestais na Indonésia destroem quase 300 casas e deixam centenas de desabrigados

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Incêndios florestais na Indonésia destruíram quase 300 casas e obrigaram cerca de mil pessoas a deixar suas residências na província de Bangka Belitung, na ilha de Sumatra. As queimadas, agravadas pelas condições de calor e seca associadas ao El Niño, também provocam episódios severos de poluição do ar e ameaçam habitats de animais ameaçados de extinção.

Segundo o governo indonésio, as condições enfrentadas pelo país são as piores em uma década. Período de 'vacas magras': El Niño impacta mercados de gado de El Salvador

São Paulo, Rio e Minas terão chuva forte, trovoadas e risco de granizo; veja a previsão para quarta-feira O fogo se aproximou de uma comunidade no sábado, quando moradores tentaram conter as chamas por conta própria, utilizando bombas de água portáteis.

Segundo Riza Herdavid, chefe administrativo da regência de South Bangka, os residentes acreditaram que haviam controlado o incêndio. No entanto, as chamas continuaram queimando sob o solo em uma área de turfa e voltaram a se espalhar quando o vento mudou de direção.

— Eles acharam que estava tudo resolvido. Mas é uma área de turfa, e ainda havia fogo queimando por baixo.

Então, quando imaginaram que tinha acabado, o vento mudou e rapidamente levou o incêndio em direção à comunidade — afirmou Herdavid. A região atingida havia sido uma área de turfa dentro de uma zona protegida, mas foi convertida em um complexo habitacional no ano passado, segundo o dirigente local.

Entre os moradores afetados está Leni, de 55 anos, que perdeu a casa e precisou buscar abrigo com a família. Ela relatou ter conseguido salvar apenas a si mesma e os filhos.

— Minha casa desapareceu. Não sobrou nada.

Só consegui me salvar e levar meus filhos comigo. Entrei em pânico e não tive tempo de pegar nada — contou.

Fumaça afeta países vizinhos Os incêndios também provocam uma grave crise de qualidade do ar na Indonésia.

Dezenas de milhares de casos de doenças respiratórias foram registrados no país em meio à fumaça provocada pelas queimadas. A poluição também atingiu Singapura e a Malásia, ampliando os efeitos da crise ambiental para além das fronteiras indonésias.

A dimensão dos incêndios preocupa especialistas, que avaliam que a área queimada e as emissões de carbono podem alcançar níveis semelhantes aos registrados em 2015. Naquele ano, as chamas consumiram cerca de 2,6 milhões de hectares e geraram aproximadamente 333 milhões de toneladas de carbono.

A combinação de temperaturas elevadas, seca e incêndios em áreas de turfa favorece a propagação das chamas. Mesmo quando o fogo parece controlado na superfície, material orgânico subterrâneo pode continuar queimando e permitir que o incêndio volte a se espalhar.

Orangotangos e outras espécies são ameaçados A destruição da vegetação também provoca impactos sobre a fauna.

Pelo menos 46 orangotangos, espécie criticamente ameaçada de extinção, foram resgatados desde agosto, segundo a Agência de Conservação de Recursos Naturais de Kalimantan Ocidental. Nesta semana, oito animais precisaram ser transferidos por carro e barco para a floresta protegida de Batu Nyambu.

Ainda não há um balanço definitivo de quantos animais morreram em decorrência dos incêndios. Especialistas, porém, alertam que o número pode ser elevado.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), o fogo atingiu habitats que abrigam 52% da população de orangotangos de Bornéu. Os danos podem persistir mesmo depois que as chamas forem controladas.

A destruição das florestas e a seca reduzem a disponibilidade de água, alimento e abrigo para os animais. Langures-de-java, macacos-de-cauda-longa e macacos-narigudos foram encontrados mortos entre as cinzas ou perto de lagoas secas.

Elefantes, gibões, pangolins e tartarugas também estão entre as espécies ameaçadas pelos incêndios. O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, determinou na segunda-feira que o governo empregue o máximo de recursos disponíveis para combater os incêndios, alguns dos quais já se prolongam há três meses.

Segundo o secretário de Gabinete, Teddy Indra Wijaya, mais de 60 mil agentes foram mobilizados em operações terrestres. A fumaça espessa em uma província de Bornéu, no entanto, chegou a impedir a atuação de aeronaves utilizadas para lançar água sobre as áreas em chamas.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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