Em busca da reeleição, os governadores dos três maiores colégios eleitorais do Nordeste — Bahia, Pernambuco e Ceará — chegam ao primeiro turno em disputas voto a voto. Ao longo do período eleitoral, as pesquisas de intenções de voto indicaram a persistência de polarização nos contextos estaduais, com empates técnicos na liderança e a possibilidade de encerramento do pleito logo no primeiro turno. Apuração: Acompanhe aqui todos os resultados pelo Brasil Protagonismo inédito: De investigações à composição da Corte, STF tem futuro atrelado às urnas Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) enfrenta pela segunda vez a força política do clã Arraes. Mesmo com uma gestão bem avaliada, o cenário é de uma disputa apertada com o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), que tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A pesquisa Quaest divulgada no sábado mostrou Lyra com uma liderança estreita, com 52% dos votos válidos, enquanto Campos tem 47%. Na véspera do primeiro turno, o cenário mostrado pelo Datafolha indicou uma corrida ainda mais apertada: a governadora aparece com 49% e Campos, com 48%. Nesse caso, há empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. A reta final da eleição pernambucana é marcada por uma batalha pelo apoio feminino. A campanha da governadora apostou na ampliação de programas sociais voltados às mulheres e no discurso contra bets para avançar no segmento. Já Campos explorou uma fala de Lyra sobre laqueadura para desgastar a adversária. No fim de setembro, um vídeo publicado pelo portal Metrópoles mostrou Lyra sugerindo a realização de uma laqueadura, sem o aval da paciente, em uma mulher com sete filhos. As imagens são do ano passado, mas vieram a público às vésperas da eleição. A governadora se desculpou pela declaração, que vem sendo explorada pela oposição. A campanha de Raquel Lyra, por outro lado, constatou que a preocupação com o orçamento familiar, devido a apostas dos homens em bets, está presente na vida de muitas mulheres de Pernambuco. Durante a campanha, Lyra ressaltou que Campos sancionou, no ano passado, uma alteração no Código Tributário do Recife que reduziu de 5% para 2% a alíquota do Imposto sobre Serviços (ISS) para jogos, loterias e sorteios, entre eles as bets. O pleito também é pautado pela disputa pelo apoio de Lula, além de trocas de acusações entre Lyra e Campos. Assim como em 2022, a governadora atuou para evitar que o debate pernambucano fosse nacionalizado, enquanto o ex-prefeito da capital utilizou menções ao presidente Lula em suas peças de propaganda. Lyra tem boa interlocução com o Palácio do Planalto e, apesar de não declarar apoio a nenhum presidenciável, elogiou a parceria com o governo Lula em agendas públicas nos últimos meses. Em 2022, o petista teve 67% dos votos válidos no segundo turno disputado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Colados em Lula Os governadores Elmano de Freitas (PT), do Ceará, e Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia, adotam estratégia distinta e apostam na nacionalização do pleito. Ambos buscam associar-se ao presidente Lula para enfrentar candidatos de oposição com currículo político extenso nos estados. No Ceará, Elmano enfrenta o ex-governador Ciro Gomes (PSDB). O tucano, que chegou a liderar no Datafolha com vantagem de 19 pontos em agosto, entrou em uma trajetória de queda em pesquisas nas semanas mais próximas ao pleito. O último levantamento do instituto antes do primeiro turno, divulgado no sábado, mostrou o petista numericamente à frente pela primeira vez. Elmano marca 50% dos votos válidos, enquanto Ciro tem 47%. O cenário é de empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa Quaest de sábado também aponta empate técnico: Elmano aparece com 50% e Ciro tem 49%. Nos momentos finais antes da ida dos cearenses às urnas, os candidatos acenam aos eleitores indecisos: Ciro foca na área da segurança pública para criticar a gestão petista. Já Elmano busca se associar a Lula e ao antecessor no Palácio da Abolição, Camilo Santana. A estratégia adotada por Ciro este ano visou consolidar uma chapa que unificasse a oposição. O objetivo é frear uma eventual sexta vitória consecutiva do grupo do qual o PT faz parte. A principal frente da campanha envolve o combate ao domínio territorial de facções e à infiltração do crime organizado em instituições. O petista apostou na construção de um palanque com lideranças populares no Ceará. Houve a formação de uma espécie de força-tarefa, na qual aliados percorriam o estado em agendas individuais ou coletivas, onde destacaram entregas do governo Elmano. Integram este grupo Camilo Santana e os candidatos ao Senado Cid Gomes (PSB) — rompido com o irmão Ciro desde 2022 — e Luizianne Lins (Rede) . No contexto baiano, a Quaest mostrou Jerônimo com 52% dos votos válidos, contra 48% dos ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União). O cenário é de empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. O pleito representa uma reedição da disputa de 2022, que foi encerrada com a vitória do petista por pequena margem no segundo turno. Ao longo do período eleitoral deste ano, ACM Neto apostou na pauta da segurança para atacar o oponente, enquanto Jerônimo associou-se a Lula e a programas do Planalto. O governador tem abordado, por exemplo, o reajuste de 15% no Bolsa Família anunciado pelo governo federal às vésperas da votação. Neto trabalha para retomar a hegemonia do carlismo. O grupo formado no entorno do avô, o ex-governador e ex-senador Antonio Carlos Magalhães, governou a Bahia por quatro décadas. Porém, perdeu espaço para o PT, que comanda o Executivo desde 2007. Antes de Jerônimo Rodrigues, ocuparam o posto Jaques Wagner e Rui Costa, que disputam o Senado na chapa petista. O cenário apertado ocorre em meio ao impacto do caso Master, uma vez que investigações indicam correlações entre a instituição financeira e os dois campos políticos na Bahia. Tanto Neto, na Bahia, quanto Ciro, no Ceará, têm na chefia de sua campanha o marqueteiro João Santana, que comandou o marketing eleitoral do presidente Lula em 2006 e o da ex-presidente Dilma Rousseff em 2010 e 2014. Cobertura do 1º turno Para facilitar e enriquecer a cobertura da apuração das eleições 2026, neste domingo (4), a partir das 17h, o GLOBO desenvolveu um ambiente especial com um menu que contempla os cinco cargos em disputa (presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual) e pode ser acessado pelo site e pelo aplicativo do jornal. No mapa, o leitor vê quem está liderando, quem foi eleito ou quem irá para o segundo turno em cada um dos 26 estados, no Distrito federal e nos 5.569 municípios. Também é possível conferir a votação nas zonas eleitorais, a nova divisão partidária do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas e a composição do Senado.
Imprevisibilidade nordestina: disputa voto a voto em Pernambuco, Bahia e Ceará ameaça governadores que tentam reeleição
Fonte da notícia:
O Globo
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