Igreja Nossa Senhora do Rosário fica em Buenolândia, antigo Arraial da Barra, considerado o primeiro povoado colonial de GoiásSecult Goiás Considerado o primeiro povoado colonial de Goiás, Buenolândia chegou aos 300 anos em 2026 com uma tradição que liga sua igreja à sepultura de um dos personagens da ocupação bandeirante.
No distrito da cidade de Goiás, moradores afirmam que Bartolomeu Bueno da Silva, o segundo Anhanguera, foi enterrado na Igreja Nossa Senhora do Rosário. O relato aparece em parecer do Conselho Estadual de Cultura, mas não comprova a localização dos restos mortais.Fundado em 1726 com o nome de Arraial da Barra, o povoado é o primeiro núcleo de povoamento goiano.
Sua origem está ligada às expedições em busca de ouro em uma região já habitada por povos indígenas antes da construção de Pirenópolis e da Cidade de Goiás. Do Arraial da Barra a BuenolândiaO povoado fica nas proximidades do encontro dos rios Vermelho e Bugre, lugar conhecido como Marco Zero de Goiás.
Está a cerca de 35 quilômetros da sede do município e pode ser acessado a partir da GO-070.A história de Buenolândia antecede a do núcleo que deu origem à atual cidade de Goiás. Segundo o histórico reunido pela Associação Goiana de Municípios, Bartolomeu Bueno da Silva Filho fundou o Arraial da Barra em 1726 e, no ano seguinte, o de Santana, do qual surgiu a cidade que seria a capital goiana até a transferência para Goiânia, oficializada em 1937.O nome Buenolândia foi adotado em 1938, mas a antiga denominação permaneceu no cotidiano.
Em estudo publicado em 2022 na revista Ateliê Geográfico, as pesquisadoras Luciana Helena Alves Silva e Maria Geralda de Almeida, da Universidade Federal de Goiás (UFG), registram que moradores continuavam a chamar o lugar de Barra.A memória do povoado também está presente nas celebrações locais.
A Festa do Marco Zero do Estado de Goiás, em Buenolândia, integra o calendário cívico, cultural e turístico estadual, no mês de agosto.O que o parecer diz sobre a sepulturaA referência ao possível túmulo de Anhanguera consta de uma ata de 2025 do Conselho Estadual de Cultura. O documento reproduz o parecer da Câmara Técnica de Ciências Humanas, Memória e Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural sobre um pedido da Secretaria de Estado da Cultura para analisar a abertura do processo de tombamento da igreja.Segundo o parecer, a tradição e a memória dos moradores de Buenolândia e da cidade de Goiás indicam que “em sua igreja se encontra sepultado Bartolomeu Bueno da Silva, o segundo Anhanguera”.
O texto registra 19 de setembro de 1740 como a data de sua morte.Quem foi Bartolomeu Bueno da SilvaBartolomeu Bueno da Silva Filho, conhecido como segundo Anhanguera, foi um bandeirante paulista que liderou expedições em busca de ouro no território que hoje corresponde a Goiás. Herdou do pai o nome e o apelido.
O primeiro Anhanguera também havia percorrido a região, ainda no século XVII, acompanhado pelo filho.Bartolomeu Bueno da Silva Filho, conhecido como segundo Anhanguera, foi um bandeirante paulistaReprodução Em 1722, o segundo Anhanguera partiu de São Paulo à frente de uma expedição que localizou jazidas de ouro em Goiás em 1725.
Sua atuação esteve ligada à exploração das minas e à formação de arraiais que consolidaram a ocupação colonial da região, entre eles o da Barra, atual Buenolândia.Esse processo avançou sobre territórios indígenas e envolveu violência e escravização. No livro Goiás +300: reflexão e ressignificação, o pesquisador Nilson Jaime analisa as instruções do governo de São Paulo à expedição.
O documento autorizava a guerra e o aprisionamento de indígenas que resistissem com armas à passagem da tropa, com previsão de venda dos cativos pela Fazenda Real.Igreja pode ser do século XVIIIEmbora a origem do povoado seja situada em 1726, o conselho reconhece a falta de documentação para estabelecer a data de construção da igreja.
O parecer cita registros de cronistas e historiadores que a situam como a primeira ou uma das primeiras edificações religiosas de Goiás.Construída quase toda em taipa de pilão, a estrutura é apontada pela Câmara Técnica como um indício de que a obra possa ser do século XVIII. Apesar das descaracterizações, especialmente da ausência do altar primitivo, a avaliação informa que a igreja mantém sua estrutura preservada.Restauração prevista para 2027A Igreja Nossa Senhora do Rosário tem restauração prevista para 2027, dentro do projeto da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) para recuperar templos históricos da cidade de Goiás.
A intervenção está orçada em R$ 2,8 milhões e integra os preparativos para o tricentenário da cidade, celebrado no próximo ano.O edital prevê a contratação de serviços especializados de arquitetura e engenharia para o restauro completo do templo. A sessão pública da licitação está marcada para 4 de janeiro de 2027, às 9h, no sistema de compras do governo estadual.
O anúncio da Secult não informa a data de conclusão da obra.
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