ICE, que prendeu Ramagem, já deteve quase 10 mil brasileiros nos EUA em cinco anos

 

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Responsável pela prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) tem um histórico de detenção de brasileiros, que, em alguns casos, são deportados de volta ao Brasil na sequência. Dados da agência mostram que, nos últimos cinco anos, 9.825 brasileiros foram detidos em operações migratórias conduzidas em território americano.

Os números apontam ainda que 783 brasileiros foram detidos na área de responsabilidade do escritório da agência em Miami, que abrange a Flórida, estado onde ocorreu a prisão de Ramagem.

Preso na segunda-feira, Ramagem foi condenado no ano passado, em julgamento da trama golpista realizado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), a uma pena de dezesseis anos pelos crimes de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. A sentença foi aplicada no mesmo processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele é considerado foragido no Brasil.

A Polícia Federal (PF) informou que a prisão do ex-deputado federal, nesta segunda-feira, ocorreu a partir de cooperação internacional com autoridades dos Estados Unidos.

"A prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA. O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito", informou a PF em nota.

O ICE está no centro de uma crescente controvérsia no país, diante de críticas às táticas consideradas agressivas e ao aumento das operações nas ruas. A tensão se intensificou após a morte de dois cidadãos americanos em Minnesota durante ações de agentes federais no início deste ano, episódio que desencadeou protestos, pressão política e culminou na saída da então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, do cargo

Mandato cassado

Em dezembro do ano passado, a Câmara cassou o mandato de Ramagem no mesmo dia da punição do colega Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

As decisões foram tomadas pela Mesa Diretora, por atos administrativos assinados pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e demais integrantes da gestão, sem votação em plenário, e publicadas em edição extra do Diário da Câmara.

Ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ramagem sustentou à época que a Casa não poderia cumprir automaticamente a decisão do Supremo, alegando que o caso deveria ir ao plenário.

Ramagem foi sentenciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado, mas fugiu para Miami, na Flórida, em setembro, onde se estabeleceu com a família antes da decretação da prisão. Embora o Brasil venha tentando extraditá-lo para cumprir pena, o processo iniciado nos EUA em decorrência da detenção pelo ICE pode resultar na expulsão sumária do ex-deputado do país, prática que se tornou mais frequente a partir da política migratória do presidente americano.

Homem de confiança do ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) saiu do Brasil pela fronteira de Roraima com a Guiana, de onde embarcou de avião para os EUA. No percurso, teria utilizado documentos falsos.