Ibovespa cai mais de 2% com ajuste pós-eleição, pressionado por bancos e cíclicas

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Fonte da notícia: Globo Globo

O Ibovespa volta a recuar nesta quarta-feira, ainda sob forte estresse do resultado eleitoral. As ações dos bancos, que acumularam ganhos expressivos antes do resultado do segundo turno, pesam sobre o índice, enquanto cíclicas domésticas lideram as perdas do pregão.

Os investidores reduzem posições e refazem suas estratégias, à espera de sinalizações sobre a condução da política fiscal e a reorganização dos ministros no próximo mandato do presidente Lula (PT). Mesmo em segundo plano, a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed) deve ser observada na tarde desta quarta-feira, com alta probabilidade de que a decisão seja pela manutenção da taxa de juros.

Por volta das 13h, o Ibovespa cedia 2,72%, aos 170.966 pontos, após oscilar entre a mínima de 170.297 pontos e a máxima de 175.711 pontos. O volume financeiro projetado para o índice era de R$ 38,5 bilhões.

Em Nova York, o Nasdaq oscilava perto da estabilidade (-0,07%), o S&P 500 subia 0,20% e o Dow Jones operava em alta de 0,30%. Após o tombo de quase 14% na segunda-feira e um leve recuo ontem, o Ibovespa volta a registrar perdas expressivas.

Para o sócio-fundador e gestor da Persevera Asset, Fernando Fontoura, o movimento é resultado de um ajuste incompleto de investidores locais (institucionais e pessoas físicas), que ainda não conseguiram reduzir suas posições tanto quanto gostariam nas duas últimas sessões, apesar da diminuição relevante da alocação em bolsa local nas carteiras.

“Na segunda, quem mais cumpriu as suas necessidades de reduzir [as posições em bolsa] foram os gringos. Os locais participaram, mas ficaram um pouco mais fora do movimento, esperando, talvez, um 'rebound' [repique], que veio parcialmente ontem, já que a performance das domésticas foi um pouco melhor”, explica o gestor.

Enquanto os investidores refazem suas estratégias e avaliam as perspectivas para o quarto mandato de Lula, “volta o imperativo” de reduzir as posições, diz Fontoura, diante da falta de notícias positivas sobre as possíveis indicações e a postura do governo. “A atitude do governo não tem vindo de maneira importante, então acho que hoje os locais estão retomando um pouco essa movimentação de reduzir as exposições."

No setor bancário, a desvalorização é mais evidente. As units do BTG Pactual recuavam 7,12%; Itaú PN perdia 3,2% e Banco do Brasil ON caía 2,65%.

Já o papel preferencial do Bradesco recuava 5,34%, depois do Itaú BBA rebaixar a recomendação do papel de compra para neutra, além de cortar o preço-alvo de R$ 22 para R$ 20 ao fim de 2027, devido a projeções menores de lucro e um custo de capital próprio maior. Após os resultados do terceiro trimestre de 2026 e diante de um cenário macroeconômico mais fraco, os analistas do BBA veem um caminho mais desafiador para novos ganhos de rentabilidade.

A desaceleração do crédito e o aumento das provisões, avaliam, pressionam as receitas ajustadas ao risco. “Reduzimos em 12% nossa estimativa de lucro líquido para 2027, para R$ 28,5 bilhões, o que implica crescimento de apenas 1% em relação ao ano anterior e retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 14,4%”, escrevem em relatório.

Entre as maiores quedas da sessão, Vamos ON perde 13,06%, Magazine Luiza ON recua 12,35% e Azzas 2154 ON cede 10,12%, pressionados pela alta dos juros futuros. Na ponta positiva, Prio ON subia 2,06%, em meio à alta dos preços do petróleo no exterior, e WEG ON ganhava 1,93%, diante da alta do dólar frente ao real.

Publicação Original Globo valor.globo.com
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