IA pode ganhar prêmio literário? França lança concurso para obras escritas com robôs

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A França lançou um prêmio literário dedicado a obras de ficção escritas em parceria com ferramentas de inteligência artificial (IA). Batizado de Prix Pascal de Littérature IA, o concurso é aberto a participantes de qualquer nacionalidade, desde que os manuscritos sejam inéditos e escritos em francês. O vencedor terá a obra publicada, em uma iniciativa que busca discutir o papel da tecnologia na criação literária. Pediu desculpas: Marco Nanini se explica depois de ser vaiado em peça que teve intérprete de Libras retirada Tragédia vira arte: Condenado à morte e preso por 42 anos, artista ganha liberdade e faz sua primeira exposição individual Criado pelos empreendedores Philippe Rodriguez, Albin Serviant e Gilles Mentré, o prêmio homenageia Blaise Pascal, filósofo, escritor e matemático francês que contribuiu para o desenvolvimento de uma das primeiras calculadoras mecânicas. A proposta é reconhecer a qualidade literária dos textos produzidos pela colaboração entre humanos e sistemas de IA, e não a tecnologia utilizada em si. Os candidatos deverão apresentar um manuscrito de ficção com extensão entre 10 mil e 50 mil palavras, além de informar qual modelo de inteligência artificial foi empregado e quais comandos foram utilizados na produção do texto. Entre as ferramentas aceitas estão ChatGPT, Claude, Gemini e LLaMA. As obras também deverão abordar, de alguma forma, desafios éticos, sociais ou ambientais que ameaçam a humanidade. A iniciativa, portanto, não se limita a premiar textos produzidos com auxílio tecnológico, mas estabelece um recorte temático para as narrativas concorrentes. As inscrições foram abertas nesta terça-feira, 20 de outubro, e vão até o dia 30 de novembro. A organização pretende selecionar dez finalistas e anunciar o vencedor no início de dezembro. O júri será formado por escritores, críticos, jornalistas, filósofos e editores, com os nomes dos integrantes previstos para serem divulgados no início de novembro.

O candidato pode ser de qualquer país, mas o concurso exige que o texto seja inédito e em francês. O vencedor terá como prêmio a publicação da sua obra. Polêmica sobre IA na literatura A criação do Prix Pascal ocorre em meio a controvérsias sobre o uso de inteligência artificial em concursos literários. Neste ano, a discussão ganhou força após denúncias de que obras concorrentes ou vencedoras de prêmios importantes teriam sido produzidas com auxílio de ferramentas generativas. Um dos casos recentes envolve o escritor haitiano-canadense Thelyson Orelien. Seu romance "C'était ça ou mourir" venceu o prêmio literário da Fnac, na França, em setembro, mas ele foi posteriormente retirado da lista de concorrentes ao Goncourt, uma das principais premiações literárias do país, após acusações de uso de inteligência artificial. A editora canadense Boréal anunciou posteriormente o fim da relação profissional com o autor após confirmar o emprego da tecnologia na escrita do livro. O debate também levanta questões sobre os limites entre o uso da IA como ferramenta de pesquisa, revisão ou orientação e sua participação direta na elaboração de um texto. Enquanto algumas premiações discutem regras para restringir ou declarar o uso da tecnologia, o Prix Pascal adota uma abordagem diferente: aceita explicitamente a colaboração entre autores humanos e sistemas de inteligência artificial.

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