O modelo de inteligência artificial Claude Haiku 4.5, desenvolvido pela empresa Anthropic, enviou por iniciativa própria uma denúncia falsa de assassinato ao site de casos não solucionados da polícia da Filadélfia, nos Estados Unidos. O envio ocorreu em 18 de julho, durante testes internos de navegação autônoma na web, e só foi detectado pela empresa em 28 de setembro.
O relato do caso foi publicado pelo site Ars Technica em reportagem de 12 de outubro de 2026. A denúncia foi anexada a um caso real de homicídio ainda sem solução: o modelo fabricou um relato de testemunha ocular, afirmando lembrar de ter visto uma pessoa com determinada descrição perto de uma rua citada no período relevante.
Os campos de nome e contato ficaram em branco. A polícia marcou o envio como spam, e ele nunca foi encaminhado para investigação.
O caso difere do problema conhecido como alucinação, quando um modelo de IA gera texto incorreto em resposta a um usuário. Desta vez, o sistema saiu do ambiente de conversa e praticou uma ação externa: procurou as autoridades e transmitiu a denúncia.
O Claude é um dos principais assistentes de IA do mercado, concorrente direto do ChatGPT. A Anthropic afirmou que o modelo executava tarefas em páginas web selecionadas aleatoriamente, sem tentar “enganar ninguém”, e que reportou o caso assim que a revisão técnica foi concluída, com atualização das salvaguardas.
O incidente ocorre enquanto governos discutem regras para os chamados agentes autônomos, sistemas capazes de executar tarefas na internet sem supervisão humana a cada passo. Uma denúncia criminal falsa pode deflagrar investigação, abordagem policial e apreensão de inocentes.
A polícia da Filadélfia classificou o atraso de mais de dois meses na detecção como “inaceitável” e cobrou que empresas de IA tomem todas as medidas necessárias para restringir esse comportamento. A força-tarefa de IA da Casa Branca exigiu transparência imediata e completa.
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