Sexo e arte contemporânea têm muitos pontos em comum — pelo menos esta é a tese do filme “I want your sex”, do americano Gregg Araki. A produção parte da boa ideia de que a experimentação artística pode incorporar o desejo sexual como forma de expressão, e explora as consequências morais dessa apropriação. 'Rosebush pruning': longa de Karim Aïnouz com Elle Fanning e Callum Turner mostra 'família para a qual o adjetivo disfuncional seria elogio' 'Digger': Tom Cruise brilha como bilionário inescrupuloso em sátira frenética de Iñárritu O tom é de comédia, com uma ambientação kitsch. No centro da história estão Erika Tracey, uma artista célebre e excêntrica interpretada por Olivia Wilde, e seu recém-contratado assistente Elliot, vivido por Cooper Hoffman (filho do saudoso Philip Seymour Hoffman). Sem muitos pudores, Erika transforma Elliot num objeto sexual, parte de um jogo de dominação e sadomasoquismo. A questão que “I want your sex” coloca é se as intenções da protagonista são simplesmente suprir seus desejos ou se há naquela encenação sexual alguma espécie de performance artística oculta. Além disso, há um debate importante sobre os limites do consentimento, questão central nas práticas sadomasoquistas e também em determinadas experiências artísticas. O que começa como uma relação de descoberta sexual para Elliot se transforma num jogo de poder em que Erika impõe suas próprias regras. Há uma ironia evidente na forma como o filme trata o universo da arte contemporânea, em que a transgressão pode ser tanto um gesto criativo quanto uma estratégia de autopromoção. Se qualquer comportamento pode ser justificado em nome da arte, o que distingue uma performance de um simples exercício de poder? “I want your sex” é irregular e eventualmente se perde num roteiro com muitas idas e vindas e saltos temporais. Mas tem boas cenas que exploram justamente essa ambiguidade. Cotação: Bonequinho olha.
'I want your sex': comédia erótica traz Olivia Wilde em 'jogo de dominação e sadomasoquismo'
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O Globo
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