Humanidade ainda não está preparada para ir a Marte, diz astronauta francesa: 'Precisamos de avanços revolucionários'

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O ser humano ainda não está preparado para viajar a Marte, afirmou a astronauta francesa Sophie Adenot após retornar à Terra, depois de oito meses a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI). Em uma coletiva de imprensa da Agência Espacial Europeia (ESA), em Colônia, na Alemanha, ela destacou a necessidade de avanços tecnológicos para tornar viáveis missões de longa duração. Vídeo: Rio derruba ponte e carrega estrutura durante enchentes no Nepal Veja também: Tartaruga-marinha é flagrada dormindo de maneira 'inusitada' dentro de esponja gigante nas Filipinas — Não estamos preparados, precisamos de avanços tecnológicos revolucionários — afirmou Adenot, cinco dias depois de pousar no oceano Pacífico. A astronauta relatou que passou mal logo após a abertura da cápsula, quando voltou a sentir os efeitos do movimento do mar. Naquele momento, disse ter desejado retornar ao espaço, onde se sentia melhor. Em seguida, porém, ressaltou que a experiência reforçou sua avaliação sobre os desafios de uma viagem a Marte. — Logo depois que a cápsula foi aberta, a primeira coisa que disse foi: “Mandem-me de volta ao espaço”, porque eu estava passando mal, com o mar se movimentando. Pensava que aquilo não podia ser possível, que lá em cima era melhor (...). Mas a segunda coisa que disse foi que não estamos preparados para ir a Marte. Os efeitos físicos de voltar à Terra Adenot lembrou que mais de 50% dos astronautas apresentam sintomas após retornar do espaço, como fraqueza intensa e vômitos. Segundo ela, esses efeitos variam de uma pessoa para outra e também podem mudar entre diferentes missões de um mesmo astronauta. Uma viagem a Marte é estimada atualmente em seis a nove meses, tempo semelhante ao que a francesa passou na EEI. Na avaliação dela, porém, as condições de sua missão foram muito melhores do que as encontradas em uma viagem a bordo de uma nave de transporte, tanto pela possibilidade de manter a atividade física quanto pelo espaço disponível na estação. — Portanto, com a tecnologia que temos atualmente, uma missão de duração muito longa, uma viagem de vários meses para chegar a Marte... Imaginem o desastre — afirmou. — Enfrentaríamos limitações fisiológicas e dificuldades para realizar as tarefas mais básicas. Gravidade artificial pode ajudar Para Adenot, viagens mais rápidas e o desenvolvimento de sistemas que permitam reproduzir a gravidade durante o percurso poderiam contribuir para superar parte desses obstáculos. A astronauta citou como exemplo uma nave espacial que girasse sobre si mesma, criando uma condição de gravidade artificial para os tripulantes. — Por outro lado, se conseguirmos avanços tecnológicos revolucionários que nos permitam acelerar a viagem e, por exemplo, contar com gravidade artificial por meio de uma nave espacial que gire sobre si mesma, de modo que os astronautas estejam sempre expostos a uma forma de gravidade, nesse caso poderia funcionar. Mas, de fato, ainda precisamos superar algumas etapas fundamentais — concluiu.

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