Horta comunitária na Barra vira alvo de disputa após ação de limpeza
Uma ação de limpeza realizada pela Comlurb em uma praça no Parque das Rosas, na Barra da Tijuca, desencadeou uma disputa entre moradores, ambientalistas e a vereadora Talita Galhardo (PSDB). Voluntários da chamada Horta do Vinil dizem que houve destruição de uma agrofloresta urbana, enquanto a parlamentar e parte dos moradores afirmam que o espaço estava abandonado e precisava de manutenção.
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A intervenção ocorreu no último dia 25 de março, após pedidos de moradores da região. Segundo Talita, a demanda partiu de síndicos de condomínios do entorno, que relataram mato alto, falta de conservação e sensação de insegurança. A vereadora sustenta que a Comlurb realizou apenas serviços de poda e roçada, e que a responsabilidade pela manutenção do espaço é dos adotantes da praça.
— Fui ao local com moradores e estava muito abandonado. Pedi à Comlurb que fizesse uma limpeza. Quando um espaço é adotado, a responsabilidade é de quem adotou. O que pedi foi a limpeza — afirmou.
Agentes da Comlurb realizaram intervenções na Horta do Vinil no dia 25 de março
Divulgação
Integrantes da Horta do Vinil, porém, contestam a versão. O coletivo afirma que não houve aviso prévio e que a ação resultou em poda considerada “radical”, incluindo a supressão de um exemplar de pau-brasil, espécie nativa da Mata Atlântica.
— A gente não foi comunicado. Foi uma intervenção sem critério em um espaço que sempre foi cuidado coletivamente — afirma Cecília Pestana, uma das adotantes do local.
Criada em 2018, a horta evoluiu para uma agrofloresta urbana mantida por voluntários e moradores, com atividades como plantio, mutirões e ações de educação ambiental. Após a intervenção, o grupo realizou um mutirão no sábado (28) para recuperar a área e acionou órgãos ambientais.
Em vídeo publicado nas redes sociais, a então secretária municipal de Meio Ambiente e Clima, Tainá de Paula, exonerada nesta segunda-feira (30) para disputar eleições, classificou o episódio como um ataque à iniciativa comunitária. Ela também disse que a prefeitura pretende recuperar áreas que tenham sido afetadas de forma irregular e destacou a importância de ações conduzidas pela sociedade civil em parceria com o poder público.
"O ataque a essa horta não é só a um espaço específico, é um ataque a iniciativas comunitárias na cidade", afirmou Tainá no vídeo.
Entre moradores do entorno, no entanto, há críticas ao projeto. A síndica Ana Paula Muxfeldt de Almeida afirma que havia queixas recorrentes sobre abandono do local e questiona se o uso como agrofloresta é compatível com a finalidade de uma praça pública. Ela também cita protocolos de solicitação de limpeza e poda registrados junto à prefeitura.
— A praça é um espaço de convivência. É preciso entender se esse tipo de uso está previsto e se atende aos moradores. Não fomos consultados sobre a adoção da praça — disse.
Procuradas, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima e a Comlurb não responderam até a publicação desta reportagem.
