Homem condenado injustamente à prisão perpétua por 'assassinato satânico' ganha indenização de R$ 120 milhões

 

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Em 1995, Jeffrey Clark, juntamente com um amigo, Keith Hardin, foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato de Rhonda Sue Warford, que tinha 19 anos. Ela era namorada de Keith. A morte foi chamada de "assassinato satânico" pela natureza do crime, ocorrido em Louisville (Kentucky, EUA).

Jeffrey sustentava a sua inocência e acusava policiais e um ex-legista de conspirarem para mantê-lo preso injustamente por 22 anos e meio. Até que ele, de fato, foi inocentado. Na quarta-feira (6/5), o ex-detento recebeu uma indenização de US$ 24,35 milhões (cerca de R$ 120 milhões) por ter sido injustamente condenado.

Jeffrey Clark foi condenado injustamente pelo assassinato de Rhonda Sue Warford no Kentucky (EUA)

Reprodução/Kentucky Department of Corrections

"Finalmente sinto que posso acordar de um pesadelo de 34 anos", declarou ele após a vitória no processo civil.

O crime

Rhonda foi encontrada morta num campo, coberta de ferimentos de faca, após sair de sua casa em Louisville pouco depois da meia-noite de 2 de abril de 1992.

A investigação policial se concentrou em Keith e Jeffrey – que tinham apenas 21 anos na época – depois que a mãe da vítima alegou ter amigos ligados ao satanismo, de acordo com o Innocence Project, uma entidade que busca correções judiciais nos EUA.

Jeffrey foi preso após policiais encontrarem sua impressão digital no carro de Rhonda. Ele alegava, no entanto, que não via a jovem desde 1991.

Na casa de Keith, agentes apreenderam evidências, incluindo um pano ensanguentado e cacos de vidro. Os promotores alegaram que o vidro era um "cálice" do qual Hardin bebia sangue de animais.

Durante o julgamento, Amy Remsberg, ex-namorada de Jeffrey, afirmou que o réu estava envolvido em práticas satânicas e que tinha uma tatuagem de cruz invertida no ombro. Ela também alegou que Jeffrey a levara a um local onde supostamente ocorreram sacrifícios de animais.

Rhonda Sue Warford

Reprodução

Para completar a tese apresentada pelos promotores do caso, um detento declarou que Jeffrey lhe havia confidenciado ter sido o autor do assassinato.

Jeffrey e Keith foram condenados depois que os promotores alegaram que um fio de cabelo encontrado no corpo dela correspondia ao do namorado – o que mais tarde se provou falso após testes de DNA. Suas condenações foram anuladas em 2016.

Além disso, o legista Bill Adams usou corretivo líquido para alterar a data da morte de Rhonda para 2 de abril, a fim de rebater o álibi de Jeffrey, embora os legistas tenham sugerido que a vítima provavelmente morreu entre 4 e 5 de abril.

"Jeff perdeu a sua vida e não foi solto até meados dos 40 anos", afirmou Elliot Slosar, advogado de Jeffrey.