Hegseth sob pressão após fiasco republicano nas eleições dos EUA

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"Eles me atacam, nos atacam, porque somos eficazes. Não vai funcionar.

Não vamos recuar", disse HegsethRedação DW, Rayanne Azevedo O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, vem enfrentando pressões por todos os lados após a derrota do Partido Republicano de Donald Trump nas eleições de meio de mandato.Aliados associaram o resultado nas urnas à guerra contra o Irã – um conflito defendido e promovido pelo chefe do Pentágono.

Enquanto isso, a oposição democrata, que conquistou maioria nas duas casas do Congresso americano, sinaliza que pretende colocá-lo sob forte escrutínio.O ex-apresentador da emissora conservadora Fox News e ex-oficial da Guarda Nacional sobreviveu a uma série de escândalos desde que assumiu o cargo, no início de 2025, mas é possível que seu tempo no poder esteja chegando ao fim.Até agora, Trump manteve seu apoio a Hegseth.

Ao ser perguntado sobre uma possível troca no comando do Departamento de Defesa – cujo nome Hegseth mudou para Departamento de Guerra, embora seja um título secundário –, o presidente insistiu que ele está fazendo "um trabalho muito bom".Maior culpado pela guerra no Irã?Tanto Trump quanto o vice-presidente J.D.

Vance culparam a guerra contra o Irã pelas derrotas nas eleições de meio de mandato.Com sua esmagadora vitória nas eleições, os democratas ganharam poder para abrir investigações e restringir o financiamento ao Departamento de Defesa e ao conflito.A guerra levou Teerã a bloquear parcialmente o Estreito de Ormuz, gerando entraves ao transporte marítimo de petróleo e gás produzidos no Oriente Médio e impondo um forte impacto na economia global.

A consequente disparada nos preços, especialmente os de combustíveis e de energia, irritou os eleitores americanos."O motivo de termos perdido [as eleições] é a guerra", afirmou Vance sobre a onda democrata, declaração que Trump considerou "em grande parte verdadeira".

O vice-presidente apontou que o conflito custou aos republicanos o controle do Congresso em um momento em que o governo busca aprovar um pacote de gastos com defesa de 1,5 trilhão de dólares (R$ 8,3 trilhões).Parlamentares já preparam ações contra HegsethApós o resultado das eleições parlamentares, alguns legisladores já deixaram claro que Hegseth e a guerra contra o Irã estão na mira do Congresso."Por que Pete Hegseth ainda está por aí?", questionou Hakeem Jeffries, o principal nome do Partido Democrata na Câmara dos Representantes, nas redes sociais."Vou atrás de Pete Hegseth.

Ele não é apenas incompetente e corrupto; ele está comprometendo nossa segurança nacional e a integridade de nossas tropas", afirmou o deputado Jason Crow, membro democrata do Comitê de Serviços Armados da Câmara.O deputado Adam Smith, principal democrata no comitê, afirmou que a prioridade máxima seria "exercer uma fiscalização rigorosa sobre o Departamento de Defesa e a administração Trump", incluindo no que diz respeito à "guerra ilegal contra o Irã".Hegseth também enfrenta uma ameaça por parte de um membro do Partido Republicano, o deputado em fim de mandato Thomas Massie, que planeja apresentar um pedido de impeachment tão logo a Câmara retome suas atividades na próxima semana.

"Existe uma única hipótese em que não reapresentarei o pedido de impeachment: se Hegseth renunciar", declarou.O parlamentar, que também se opõe a Trump, já havia tentado avançar o impeachment de Hegseth no início deste ano, mas os republicanos levaram a Câmara ao recesso antes que a votação pudesse ocorrer."Não vamos recuar", diz Hegseth Em uma mensagem de vídeo divulgada nesta quinta-feira (06/01), Hegseth admitiu estar pressionado, mas defendeu sua gestão ao descrever a guerra como um "esforço corajoso e histórico"."Eles me atacam, nos atacam, porque somos eficazes.

Não vai funcionar. Não vamos recuar", declarou, em uma gravação feita na escadaria do Pentágono.Hegseth descartou o que chamou de "pedido de impeachment farsesco" de Massie, a quem descreveu como um "congressista derrotado e insatisfeito", e equiparou a tentativa de destituí-lo aos processos de impeachment enfrentados anteriormente por Trump."Trata-se, pura e simplesmente, de uma política de destruição pessoal.

Não funcionou contra o presidente Trump e não funcionará comigo", afirmou.Escândalos acumuladosNos últimos dois anos, Hegseth esteve no centro de diversos escândalos e polêmicas. O mais recente envolveu um plano para transmitir ao vivo uma execução por fuzilamento, o que acabou sendo descartado por Trump.Poucos meses após Hegseth assumir o cargo, a revista The Atlantic revelou que seu editor-chefe havia sido incluído, por engano, em um grupo no aplicativo de mensagens Signal, no qual o chefe do Pentágono e outras autoridades discutiam ataques iminentes no Iêmen.Ações contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico oriental também geraram controvérsia, especialmente um ataque no ano passado que deixou sobreviventes, os quais foram mortos em uma segunda investida.Outras medidas polêmicas sob a gestão de Hegseth incluíram a demissão de vários militares de alto escalão – entre eles o oficial de maior patente do país, Charles "CQ" Brown –, frequentemente sem qualquer explicação pública, ou com justificativas mínimas.O deputado Smith afirmou que os ataques a embarcações, o envio de tropas por parte de Trump a cidades dos EUA e a "politização flagrante e corrosiva de nossas Forças Armadas" estão, todos, no topo da lista de questões a serem investigadas pelo novo Congresso.rc/ra (Reuters, AFP)

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