Hantavírus: existe a possibilidade de uma pandemia?
Neste fim de semana foram evacuados 94 passageiros do cruzeiro MV Hondius, e, nesta segunda-feira (11), 22 passageiros restantes seguirão em voo único para a Holanda. A avaliação mais recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que o avanço do hantavírus deve ser "limitado" se medidas sanitárias forem mantidas. Além disso, o Ministério da Saúde alertou que o surto de hantavírus no cruzeiro não representa risco para o Brasil.
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"Não há registro da circulação do genótipo Andes no Brasil, variante relacionada ao episódio raro de transmissão interpessoal registrados na Argentina e no Chile, e que está em circulação no navio. Os casos humanos no Brasil não apresentam transmissão entre pessoas. Até o momento, o país identificou nove genótipos de Orthohantavírus em roedores silvestres, e nenhuma transmissão entre pessoas", diz o Ministério.
Não existe vacina nem tratamento específico contra o hantavírus, infecção geralmente associada ao contato com roedores. No caso do MV Hondius, exames identificaram a cepa Andes — a única variante conhecida com registros de transmissão de pessoa para pessoa em situações de contato muito próximo.
— Até hoje, foram registrados oito casos, incluindo três mortes. Cinco desses oito casos foram confirmados como causados pelo hantavírus, e os outros três são suspeitos — informou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em Genebra.
Como o período de incubação da cepa Andes pode chegar a até seis semanas, "é possível que mais casos sejam relatados", acrescentou.
Os três mortos ligados ao cruzeiro — que partiu em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, rumo a Cabo Verde — são um casal de holandeses e uma passageira alemã.
Atualmente, há passageiros hospitalizados ou sob vigilância médica nos Países Baixos, Suíça, Alemanha e África do Sul.
'Não é o começo de uma pandemia'
A OMS fez questão de afastar comparações com a covid-19 e reiterou que o risco epidêmico global permanece baixo.
— Não é o começo de uma pandemia — afirmou Maria Van Kerkhove, responsável pela prevenção e preparação para epidemias e pandemias da OMS, na primeira coletiva da agência desde o início da crise.
O diretor de operações de emergência da OMS, Abdi Rahman Mahamud, reforçou que o surto será "limitado se forem implementadas medidas de saúde pública e houver solidariedade entre todos os países".
— A situação está, em nossa opinião, amplamente sob controle — afirmou na noite de quinta-feira o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acrescentando que um "relatório completo" seria divulgado nesta sexta-feira.
Origem do contágio segue indefinida
A origem do foco ainda é desconhecida. Segundo a OMS, o primeiro contágio ocorreu antes mesmo do início da expedição, já que o primeiro passageiro morto — um holandês de 70 anos — apresentou sintomas em 6 de abril, poucos dias após o embarque.
Ele e a esposa haviam viajado pelo Chile, Uruguai e Argentina antes de entrar no navio. O Ministério da Saúde do Chile afirmou que é improvável que o casal tenha sido infectado em território chileno, já que a passagem pelo país ocorreu "em um período que não corresponde ao de incubação".
Já as autoridades sanitárias argentinas disseram que, "com as informações fornecidas até o momento (...) não é possível confirmar a origem do contágio".
O hantavírus é endêmico em algumas regiões da Argentina, especialmente ao longo da Cordilheira dos Andes, onde vêm sendo registrados cerca de 60 casos anuais nos últimos anos.
