O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), declarou nesta sexta-feira (11) que acredita no “fortalecimento das instituições”, como o Supremo Tribunal Federal (STF), a partir de métodos de transparência e retirando as “laranjas podres”. A fala ocorreu em entrevista a uma rádio de Aparecida, no interior do estado, que também teve comentários sobre a derrubada do sigilo dos inquéritos do Banco Master. Após a publicação da reportagem, a equipe de Haddad argumentou que ao mencionar "laranjas podres", o ex-ministro não se referia a ministros do STF, e sim aos partidos eventualmente envolvidos com práticas ilegais (veja mais abaixo). — Às vezes, você pensa que tem uma saída fácil para a política. “Ah, vou mudar de partido, vou trocar de roupa”. Na verdade, temos que corrigir as instituições brasileiras. Se o Supremo está errado, tira do Supremo quem está criando problema. Se a Polícia Federal tem alguma coisa errada, tira da Polícia Federal o policial que está fazendo errado. Isso vale para qualquer agremiação — afirmou Haddad. Ele também fez um paralelo com dois policiais militares de São Paulo suspeitos de matarem as suas próprias esposas, uma delas no dia 7 de setembro, em Embu das Artes, e outra em 18 de fevereiro, na capital paulista. Segundo Haddad, diante dessas e outras notícias, como o envolvimento da PM com crime organizado, "99% da corporação que é séria" não deve abandonar o serviço, e sim aqueles que cometeram os crimes.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, marcou uma sessão plenária, na próxima terça-feira (15), para a Corte decidir se autoriza a abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes, diante da revelação de conversas em que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pede intervenção no Ministério Público e na Polícia Federal e questiona qual seria o melhor momento de deixar o país para não ser preso. Parte da esquerda também questiona a conduta do ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, e suspeita de tentativa de interferência eleitoral com "vazamentos seletivos", a menos de 30 dias do primeiro turno, por pessoas com acesso às investigações. O presidente Lula (PT), inclusive, foi a público pedir o levantamento do sigilo de todos os processos, ato determinado por Fachin a Mendonça na noite de quinta-feira (10). — Eu acredito muito em transparência. Quando a luz do sol bate, ela resolve muitas doenças, inclusive a da corrupção — alegou o petista, um dos políticos mais próximos do presidente Lula, candidato à reeleição este ano. — É dar transparência e liberdade para investigar. Temos muita coisa para fazer, mas eu confio muito nas instituições e acredito no fortalecimento das instituições, tirando as laranjas podres de dentro delas. O assunto havia sido introduzido pela pergunta de um ouvinte a respeito da possibilidade de Haddad deixar o PT para ter mais sucesso nas urnas, considerando que vem de três derrotas consecutivas e aparece novamente em desvantagem nas pesquisas para Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu principal adversário em São Paulo. O candidato lembrou que tem mais de 41 anos de militância no partido, tempo maior do que o de seu casamento. — Todo grupo, qualquer que seja, tem problemas. Hoje mesmo levantaram o sigilo do caso do Master no Supremo Tribunal Federal. O que descobrimos hoje? Que o Flávio Bolsonaro está investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Você vai perguntar para a pessoa se ela vai sair do partido dele? Ele já está sendo investigado por três crimes, por causa do dinheiro do Vorcaro — rebateu. Mais cedo, o petista encontrou o arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antônio da Silva, que assumiu o cargo em maio. O município do Vale do Paraíba é conhecido por abrigar o Santuário Nacional de Aparecida, para onde milhões de fiéis se dirigem todos os anos. Haddad prometeu fortalecer o turismo religioso e reforçar o aparato de segurança nas peregrinações, ponto este levantado pelos moradores.
O Globo