O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira, durante agenda de campanha em Belém (PA), que o Supremo Tribunal Federal (STF) tem a “obrigação” de autorizar a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Na véspera do julgamento que pode abrir caminho para a apuração, Flávio voltou a defender o afastamento do magistrado e cobrou transparência também em investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. — Amanhã vai ser um dos dias mais importantes dos últimos anos no Brasil. É o início de um julgamento que eu tenho certeza que vai fazer com que o Alexandre Moraes seja oficialmente investigado com tudo que já veio à tona. Eu acho que não há mais nenhuma dúvida que pelo menos o Supremo, a maioria do Supremo no plenário, tem a obrigação de autorizar o início de investigação contra ele — afirmou. O julgamento está marcado para esta terça-feira e ocorre em meio à crise aberta no Supremo após a revelação de mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes. O material foi encontrado pela Polícia Federal no celular do dono do Banco Master e mostra o empresário procurando o ministro às vésperas de sua prisão, em novembro do ano passado. Caberá ao plenário decidir sobre a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes e enfrentar questionamentos sobre a própria validade do relatório produzido pela PF. A identificação de Moraes como interlocutor ocorreu a partir de uma determinação de André Mendonça, então relator das investigações sobre o Master. A ala próxima a Moraes sustenta que uma apuração envolvendo um integrante do STF dependeria de autorização prévia do colegiado e, por isso, questiona a validade do material. Interlocutores de Mendonça argumentam que não havia uma investigação direcionada a Moraes e que a PF apenas identificou o destinatário das mensagens e submeteu a descoberta às autoridades competentes. Flávio afirmou ainda que Moraes deveria ser afastado e disse que o ministro não poderia continuar participando de julgamentos enquanto é alvo dos questionamentos que serão analisados pela Corte. — Precisa ser afastado, porque não é possível alguém que tenha feito tudo isso que já foi mostrado ficar impune, continuar participando dos julgamentos, continuar usando os inquéritos das fake news para perseguir adversários políticos — disse. Na sequência, o candidato ampliou a cobrança e afirmou que quer transparência em outras investigações em tramitação no Supremo. Além do caso envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio citou apurações relacionadas ao INSS, às fake news e a Lulinha. — Eu quero transparência de todas as investigações que estão em andamento no Supremo, não pode ser apenas em relação ao filme do Bolsonaro, com relação ao INSS, com relação às fake news e com relação ao Lulinha. Todo mundo quer saber como é que o Lulinha foi sustentado pelo seu próprio pai, fazendo lobby e negócios dentro do próprio governo do pai dele. Então é muito importante isso tudo vir à tona. O Brasil tem que ser passado a limpo e começa amanhã, se Deus quiser — afirmou. A menção ao filme se refere às investigações sobre o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Nos últimos dias, os dois processos sobre o longa metragem tiveram seus sigilos derrubados. Na sexta-feira, veio à tona que Flávio é investigado em um deles, por ter captado recursos para obra junto a Vorcaro. Já Lulinha aparece em uma frente de investigação relacionada às fraudes no INSS. A apuração mira a atuação do empresário e suas relações com pessoas investigadas no esquema. O caso também entrou no centro da disputa interna do Supremo nos últimos dias, em meio à sequência de decisões sobre o levantamento de sigilos de procedimentos ligados às apurações conduzidas por Mendonça. Flávio cumpre nesta segunda-feira uma agenda de campanha em Belém, com carreata e comício previsto para a noite. A passagem pelo Pará antecede uma sequência de viagens pelo Nordeste que começa nesta terça-feira. O candidato do PL passará por três estados em três dias: Ceará, Pernambuco e Bahia, com uma agenda por dia.
Notícias
Flávio diz que STF tem 'obrigação' de investigar Moraes e cobra quebra de sigilo de caso Lulinha: 'Não pode ser apenas o filme'
Fonte da notícia:
O Globo
O Globo
Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?
Acessar matéria no site O Globo