Hacker de Araraquara é transferido do presídio de Tremembé e aguarda decisão sobre progressão de pena
Condenado por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos falsos, Walter Delgatti Neto, conhecido como o hacker de Araraquara, foi transferido do complexo prisional de Tremembé, no interior de São Paulo, conhecido como o “presídio dos famosos”, para a Penitenciária II de Potim, também no Vale do Paraíba. A mudança ocorreu ainda em dezembro, por determinação da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), e foi confirmada pela Polícia Penal do estado.
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Delgatti cumpre pena em regime fechado de oito anos e três meses de prisão pela invasão ao sistema do CNJ, ocorrida em janeiro de 2023. Segundo a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR), o ataque teve como objetivo desacreditar o Judiciário e reforçar questionamentos ao resultado das eleições de 2022. A mando da então deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), hoje detida na Itália, o hacker chegou a inserir no sistema da Justiça um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que foi incluído no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP).
Preso há quase três anos, Delgatti estava em Tremembé desde fevereiro do ano passado. A Penitenciária II de Potim começou a receber detentos transferidos de Tremembé em agosto, decisão que gerou resistência entre moradores da cidade, que tem cerca de 22 mil habitantes. O prefeito Emerson Tanaka (MDB) chegou a se manifestar publicamente contra a medida. Além de Delgatti, também foram levados para Potim o ex-jogador Robinho e o empresário Thiago Brennand. Em abril do ano passado, a unidade registrou um motim, com bloqueio de celas e brigas entre detentos, deixando três presos feridos.
Paralelamente à transferência, a situação penal do hacker segue em análise no STF. Em dezembro, a PGR manifestou-se de forma favorável ao pedido de progressão do regime fechado para o semiaberto. No parecer enviado ao ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, informou que Delgatti havia cumprido, até 2 de julho, um ano, 11 meses e cinco dias de pena, cerca de 20% do total, e que o atestado de conduta carcerária aponta bom comportamento.
“Além disso, o atestado de conduta carcerária emitido pela unidade prisional atesta que o reeducando Walter Delgatti Neto apresenta bom comportamento carcerário. Dessa forma, estão atendidos os requisitos objetivos e subjetivos exigidos para a progressão de regime prisional”, escreveu Gonet. Não há prazo para decisão.
Delgatti também acumula outras condenações. Em 2024, foi sentenciado a dez meses de prisão por calúnia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após acusá-lo, sem provas, de grampear o ministro Alexandre de Moraes em depoimento à CPI do 8 de Janeiro. Além disso, responde por ter hackeado autoridades públicas ligadas à antiga Operação Lava Jato. Nesse caso, investigado na Operação Spoofing, ele foi condenado em primeira instância a 20 anos de prisão, mas responde em liberdade enquanto há recursos pendentes na Justiça Federal de Brasília.
